Se os índices de homicídios e latrocínios continuarem em alta, a violência pode ser a principal adversária para o projeto de reeleição do governador Renato Casagrande em 2014. O assassinato do empresário Ademar Cunha, no último domingo (2), trouxe o tema novamente à tona e, como não podia ser diferente, Casagrande voltou a ouvir críticas mais contundentes ao trabalho do secretário de Segurança Pública Henrique Herkenhoff.
Na iminência de anunciar os novos nomes que devem compor a sua equipe de governo em 2013, Casagrande passou a sofrer pressão para aproveitar a “janela de mudanças” e incluir o nome do secretário no pacote.
Mas essa decisão não é tão simples como possa parecer para alguns observadores. Se olhar para as estatísticas e para os crimes de repercussão social, como o do empresário Ademar Cunha, Casagrande despacha o secretário ontem.
Mas se o governador resolver pôr na balança o convite que fez há dois anos, quando convenceu Herkenhoff a trocar a carreira estável de desembargador no Tribunal Regional Federal em São Paulo por um vespeiro chamado Segurança Pública do Espírito Santo, Casagrande tende a reconsiderar.
É verdade que se Casagrande analisar friamente, pensando inclusive no seu projeto de reeleição, a medida mais estratégica parece ser a troca. Por mais que o governo fale que tem investido muito dinheiro em Segurança, que está fazendo concursos sistemáticos para aumentar o efetivo de policiais e que lançou programas como o Estado Presente para enfrentar preventivamente a criminalidade, para a população, nada disso importa. Principalmente quando a sensação de violência bate mais forte que as ações do Estado.
Isso pode pesar politicamente para Casagrande, se lembrarmos que o então candidato a governador prometeu, durante a campanha de 2010, que cuidaria pessoalmente do problema, transmitindo ao eleitor que as páginas de violência que escreveram a história do Estado até então, fariam parte do passado.
Já se foram dois anos de governo e Casagrande ainda não conseguiu cumprir a sua promessa, que poderá ser novamente cobrada pelo eleitor, com juros e correção, em 2014.
O prazo está se esgotando, mas o impasse continua martelando a cabeça do governador. Casagrande não sabe se salva a sua pele e despede logo Herkenhoff ou se segue o exemplo do ex-governador Paulo Hartung, que conseguiu tirar leite de pedra ao salvar a imagem do ex-secretário Rodney Miranda, que mesmo após fazer uma gestão pífia na Segurança, se tornou deputado estadual e se elegeu prefeito de Vila Velha. Prova de que o eleitor não levou o descontentamento com a Segurança para as urnas.

