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Votação do projeto da LDO poderá ficar para depois do recesso parlamentar

Ales, comandada pelo deputado Marcelo Santos, tende a ganhar tempo e poder de barganha

Kamyla Passos/Ales

A votação da Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) do Governo do Estado na Assembleia Legislativa (Ales) poderá ficar para depois do recesso parlamentar (período de 20 a 31 de julho). Século Diário apurou que a medida foi acordada entre lideranças da Casa, apesar de o presidente Marcelo Santos (União) ter negado a informação, após ser procurado pela reportagem.

O PLDO foi encaminhado à Ales no dia 29 de abril pelo governador Ricardo Ferraço (MDB). A peça prevê receitas primárias de R$ 29,7 bilhões em 2027, uma variação de 4,56% em relação ao que foi estimado para 2026 (28,4 bilhões). Já a estimativa para as despesas primárias é de R$ 31,40 bilhões, 0,13% a menos do que o de 2026 (R$ 31,44 bilhões). A proposta também ressalta que o Espírito Santo teve crescimento de 3,9% no PIB em 2025, acima do projetado na LDO daquele ano, que era de 2%.

No ano passado, a votação da LDO de 2026 ocorreu em regime de urgência, em julho, pouco antes do recesso parlamentar, o que gerou reclamações de alguns deputados, que apontaram falta de tempo para discussão e para propor emendas. Também gerou reclamação a rejeição em bloco de 43 emendas dos deputados pelo relator da proposta, Mazinho dos Anjos (MDB). Camila Valadão (Psol), Coronel Welinton (DC), Iriny Lopes e Janete de Sá (PSB) criticaram a rejeição de acréscimos que garantiriam mais recursos para modernização da Defensoria Pública do Estado (DPES), responsável por defender pessoas em situação de vulnerabilidade.

Agora, em vez de acelerar a tramitação, deputados da Ales parecem enxergar na protelação da análise da proposta uma estratégia para aumentar o poder de barganha com a gestão estadual – que, inclusive, poderá trocar de mãos após o pleito de outubro.

O recesso parlamentar terminará em meio ao início do processo eleitoral de 2026, e é possível que ocorra uma espécie de “recesso estendido” este ano. As sessões da Assembleia já tem ficado esvaziadas em meio às movimentações de pré-campanha, e a tendência é que a situação se aprofunde a partir de agosto.

A votação tardia da LDO, caso se confirme, poderá atrasar a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA). De qualquer forma, a LOA costuma ser votada nos últimos meses do ano.

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