O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira (29) a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2013, publicação que reúne múltiplas informações sobre a realidade social brasileira nos setores demográfico, saúde, trabalho, padrão de vida e distribuição, e saúde. Em relação ao Estado, o estudo mostra, mais uma vez, que as vítimas preferenciais de mortes por agressão são os jovens negros.
Além disso, a pesquisa também revela o alto índice de jovens que não estudam nem trabalham.
Segundo o IBGE, em 2010 – ano de referência para o estudo – a taxa de mortes por agressão de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, faixa etária que compreende a juventude, negras – preto e pardo, na definição do IBGE – foi de 140,1 mortes por grupo de 100 mil habitantes. Até 14 anos, a taxa ficou em 4,7; de 30 a 39 anos, 75; 40 a 49 anos, 52,4; e de 60 para cima, 10,7 mortes por 100 mil.
Entre os jovens brancos, a taxa de óbitos por agressão ficou em 29,9 por 100 mil; até 14 anos, 0,6; 30 a 39 anos, 26; 40 a 49 anos, 19,1; 50 a 59 anos, 15,8; e de 60 para cima, 11,4 mortes por 100 mil.
Por outro lado, a pesquisa também aponta o alto índice de jovens que não estudam nem trabalham. De acordo com o SIS 20,4% dos jovens com idades entre 18 e 24 anos no Estado não estudam nem trabalham. Entre aqueles com idades entre 25 e 29 anos o índice é de 16,6%.
A seletividade na morte de jovens negros no Estado é comprovada por diversos estudos. O mais recente, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revelou que, no Brasil, a probabilidade do negro ser vítima de homicídio é oito pontos percentuais maior, mesmo quando se compara indivíduos com escolaridade e características socioeconômicas semelhantes.
Já o Mapa da Violência 2013 – Homicídios e Juventude no Brasil atesta a seletividade nos homicídios de negros. O estudo, do sociólogo Julio Jacobo Waiselfiz, e lançado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), confirma que no Espírito Santo os negros são vítimas preferenciais de homicídios.
O mapa mostra que a taxa de homicídios de negros no Espírito Santo é de 58,4 mortes por grupo de 100 mil. Entre os brancos esta taxa cai para 16 por 100 mil.
Entre os jovens, as taxas são mais aterradoras. Entre jovens negros, a taxa de homicídios do Estado é de 144,6 mortes por 100 mil. Entre brancos é 37,3.

