Espírito Santo fica em oitavo lugar no país em internações de homens idosos, segundo Atlas

A taxa de homicídios de idosos por 100 mil habitantes no Espírito Santo reduziu 35,3% de 2014 a 2024. Por outro lado, as notificações de violência interpessoal aumentaram quase 400% no mesmo período. Os dados são do Atlas da Violência 2026, lançado esta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O Atlas faz uma ressalva sobre a questão das violências interpessoais, apontando que uma parte do aumento nas notificações se deve à expansão e aperfeiçoamento da rede do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan/MS). “Todavia, o número de 30.097 casos de violência contra idosos na rede de saúde em 2024 (correspondente à taxa de 88,4 notificações por 100 mil) revela que as agressões contra idosos no país é um problema de grande dimensão”, acrescenta o texto.
Em número absoluto de notificações de violência interpessoal de idosos, o Espírito Santo subiu de 215 em 2014 para 1.073 em 2024 (399,9% a mais). Em todo esse período, houve apenas uma leve diminuição nas ocorrências de 2019 (326) para 2020 (321), primeiro ano da pandemia de Covid-19. Na contagem por 100 mil habitantes, foi registrada a taxa de 159,9, a terceira maior do país, ficando atrás apenas de Mato Grosso do Sul (310,5) e Tocantins (202,5).
Em relação às internações de homens idosos por agressão por 100 mil habitantes, o Espírito Santo alcançou a oitava maior taxa do país (19,3). Entre as mulheres dessa faixa etária, a taxa foi bem menor (4,7, 12º lugar do Brasil), abaixo da média nacional para o gênero (5,1).
O Espírito Santo também ficou entre os maiores do país na taxa de mortes de idosos por queda em 100 mil habitantes (de 66,4 a 85,7 notificações). O Atlas projeta que, em 15 anos, possivelmente o número de mortes por queda vai superar o de homicídios no Brasil como um todo, haja vista a tendência de envelhecimento da população.
Homicídios
Em relação aos homicídios de idosos, de 2014 a 2024, houve uma queda de apenas 2% nos números absolutos, passando de 51 para 50. Foi registrado um pico de assassinatos nessa faixa etária em 2021 (87), e o número reduziu ano a ano desde então. Por outro lado, a taxa por 100 mil habitantes teve uma queda mais acentuada, de 11,6 para 7,5, ainda que continue como a mais alta da região Sudeste.
O Atlas da Violência ressalta que a redução mais acentuada na taxa por 100 mil habitantes no Brasil como um todo em relação ao número absoluto se deve ao fato de que a população acima de 60 anos teve uma elevação expressiva nesse período.
Levando em conta o sexo e a raça/cor das vítimas, o Atlas aponta redução dos homicídios em todos os grupos. Mesmo assim, homens negros idosos têm uma taxa de vitimização letal 1,7 vezes maior que homens não negros, enquanto entre as mulheres essa razão é de 1,3 vezes.
“A segurança da população idosa não deve ser pensada apenas sob a ótica da segurança pública tradicional (prevenção de homicídios e violências intencionais), mas deve incorporar fortemente a segurança ambiental e a promoção da saúde funcional. A implementação de programas de prevenção de quedas baseados em evidências, com foco em exercícios físicos, adaptação ambiental e intervenções multicomponentes, deve ser tratada como uma prioridade urgente de saúde pública para garantir um envelhecimento digno e seguro no Brasil”, diz o Atlas.

