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Os dilemas de Ferraço

Antipetista mais do que declarado, governador recusou visita de Lula, mas depois pensou bem…

Leonardo Sá/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr


Antipetista mais do que declarado e signatário de um manifesto publicado em março passado contra qualquer aliança entre o MDB e o PT e Lula nas eleições deste ano, o governador Ricardo Ferraço passaria toda esta quinta-feira (20) ignorando a visita do presidente em Aracruz, no norte do Estado. Foi o que ele mesmo sugeriu na véspera, ao dizer que não participaria do evento oficial, apontando justificativas frágeis, como comunicação em cima da hora, agenda lotada, etc. e tal. Nesta manhã, porém, recuou, e foi ao menos receber o presidente no aeroporto, com um breve cumprimento. Cortesia? Obrigação? Há interpretações de todos os lados. Politicamente, a decisão de não participar do evento foi coerente, já institucionalmente, ignorar o presidente seria, sim, questionável. Do ponto de vista eleitoral, Ricardo evitou colar sua imagem ao PT e a Lula, mesmo que minimamente. Bolsonaristas e nomes que orbitam ao redor do palanque do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) não deixariam, de fato, passar em branco tamanha oportunidade. Embora sucessor de Renato Casagrande (PSB) com a marca da “continuidade” – os dois têm semelhanças e muitas diferenças -, Ricardo tem origem no empresariado e na direita, e também está, portanto, atrás dos mesmos votos de seu principal adversário na corrida ao Palácio Anchieta. Lula, por outro lado, não poupou o clã Bolsonaro em seus discursos, muito menos as atuais denúncias de negociações milionárias envolvendo o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro (RJ), e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Para deleite da esquerda capixaba e fôlego aos candidatos deste ano, em especial das disputas majoritárias ao governo e Senado, Helder Salomão e Fabiano Contarato. Com clima de campanha em evidência, teve até a cantoria “olê, olê, olê, olá…Lula, Lula”. Agora imagina essa cena e a presença de Ricardo Ferraço…

Segue…

O tal manifesto, vale lembrar, foi entregue ao presidente nacional da legenda, deputado federal Baleia Rossi (SP), junto com dirigentes de outros 16 estados, formando maioria partidária em meio a conversas sobre o MDB assumir a vice na chapa de reeleição de Lula. Ricardo ainda ocupava o cargo de vice, mas já eram os primeiros sinais da “virada de gestão”, e que culminou, automaticamente, com o anúncio de saída de quadros do PT do governo.

Escalação

Esse desacerto ideológico entre Ricardo e Casagrande foi o que obrigou também os petistas a armarem candidatura própria no Estado para oferecer palanque a Lula. Campeão de votos à Câmara dos Deputados em 2022, Helder foi o escalado, e se consolida como único palanque da esquerda para a disputa de outubro.

Escalação II

O senador Fabiano Contarato, que vai enfrentar uma briga dura à reeleição, tem mais próximo do seu campo apenas Casagrande. O PT, inclusive, já afirmou que pedirá voto para ele na segunda vaga. Difícil é ter certeza do contrário. Em 2022, Casagrande evitou até o último minuto se aliar publicamente ao projeto petista.

Negativas

Do lado oposto, o senador Magno Malta (PL) colocou um freio nas exaltações feitas por vereadores do seu partido e do Republicanos no plenário da Câmara de Vitória nessa segunda-feira (18). Ele usou as redes sociais para desmentir que uma aliança estaria praticamente consolidada entre as duas legendas, inclusive negando conversas nesse sentido, além de criticar os propagadores da informação.

Festejos

Na Câmara, tudo começou justamente com fala do vereador Armandinho Fontoura, do PL, de que uma reunião em Brasília naquele mesmo dia consolidaria uma frente unificada da direita para a disputa presidencial, com reflexos nos estados, o que por aqui resultaria na aliança PL-Republicanos. “Pode ter certeza que essa decisão vai mexer com o Espírito Santo e será anunciada hoje”, chegou a cravar Armandinho.

Festejos II

Ele foi seguido pelos vereadores do Republicanos, o presidente da Câmara, Anderson Goggi, e Davi Esmael, defensores da composição como importante para projetos políticos locais e o fortalecimento da direita. O nome da Maguinha Malta, candidata do PL ao Senado e filha de Magno, também apareceu. Afinal, a aliança só ocorre se Pazolini abraçar essa ideia.

Fora de hora

Nessa quarta-feira (20), as declarações do senador também foram comentadas em plenário por Dárcio Bracarense (PL). Ele disse que era melhor adotar “cautela” para não ocorrerem situações como essa, que considera ruins para o próprio Pazolini em um cenário de disputa acirrada, devido à rejeição pública do senador. Dárcio não se opôs à aliança, mas defendeu que é preciso respeitar o calendário eleitoral e o “momento certo”.

A postos

Se realmente for fechada essa aliança, e a previsão é que feche, ficará  aberto ainda o candidato da outra vaga ao Senado. O PSD, perna importante do palanque do ex-prefeito, vai mesmo sustentar o projeto de Serginho Meneguelli? No Republicanos, tem dois nomes a postos: o deputado federal Evair de Melo e Carlos Manato.

Nas redes

“A verdade não falha. Nós nunca fomos atrás da Lei Daniel Vorcaro para financiar nenhum artista brasileiro”. Frase do presidente Lula em discurso feito no Espírito Santo propagada nas redes sociais.

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