Por José Carlos Pigatti
Com o processo eleitoral de 2026 em andamento, iniciam-se as apresentações dos diversos candidatos e candidatas que pretendem conquistar a confiança da população para representá-la nos Poderes Executivo e Legislativo. Os brasileiros e brasileiras escolherão o presidente da República, os governadores dos Estados, dois senadores por unidade federativa, além dos deputados federais e estaduais que terão a responsabilidade de elaborar leis e fiscalizar os governos.
No Espírito Santo, serão eleitos dez deputados federais para representar o povo capixaba na Câmara dos Deputados e 30 deputados estaduais para compor a Assembleia Legislativa. Diante de tantas opções, surge uma pergunta fundamental: como o povo trabalhador pode escolher quem realmente o representa?
A primeira resposta é simples e poderosa: o mais importante neste processo não são os candidatos e candidatas, mas sim o povo eleitor. A democracia só existe porque cada cidadão possui o direito de decidir quem receberá a responsabilidade de falar e agir em seu nome. O voto é um instrumento de poder popular e precisa ser utilizado com consciência.
Por isso, antes de observar promessas, slogans ou campanhas publicitárias, é importante analisar quem são as pessoas que disputam os cargos públicos. Quais candidatos se identificam com as causas populares? Quais conhecem de verdade a realidade das periferias, dos trabalhadores, das mulheres, dos jovens, dos aposentados e dos pequenos agricultores? Quem possui uma trajetória de participação nas lutas por melhores condições de vida para a população?
O educador brasileiro Paulo Freire ensinava que a participação popular é condição fundamental para a construção da democracia. Não basta votar; é preciso compreender a realidade para transformá-la. Nesse sentido, o eleitor deve observar se o candidato esteve presente quando a comunidade precisou, se ajudou a construir soluções para os problemas coletivos e se possui compromisso real com os interesses do povo.
Também é importante analisar o histórico político de cada candidato. Quando teve oportunidade, defendeu direitos trabalhistas? Lutou por mais investimentos em educação, saúde, moradia e transporte público? Ou se posicionou contra conquistas históricas da população? A história de cada representante fala mais alto do que qualquer promessa feita durante a campanha.
O filósofo Jean-Jacques Rousseau afirmava que a soberania pertence ao povo. Já o cientista político Norberto Bobbio lembrava que a democracia não é apenas o direito de votar, mas a capacidade de controlar aqueles que foram eleitos. Por isso, a escolha dos representantes deve considerar não apenas o discurso, mas também a prática política e a disposição de dialogar com a sociedade.
Infelizmente, a política brasileira ainda possui forte presença de representantes vinculados aos interesses dos grandes grupos econômicos. Bancos, grandes empresas, setores financeiros, latifundiários e outros grupos organizados possuem influência significativa nas decisões públicas. Muitas vezes, seus interesses entram em conflito com as necessidades da maioria da população, que depende do trabalho para viver e necessita de políticas públicas que garantam emprego, renda, saúde, educação e dignidade.
Mas a democracia oferece ao povo trabalhador uma ferramenta poderosa para mudar essa realidade: o voto. Somos a maioria da população e também a maioria do eleitorado. A força do voto popular pode ampliar a presença de representantes comprometidos com os interesses da classe trabalhadora, das comunidades, dos movimentos sociais e de todos aqueles que defendem uma sociedade mais justa.
É fundamental compreender que nenhum representante governa sozinho. Presidentes, governadores, senadores, deputados federais e estaduais tomam decisões que impactam diretamente a vida das pessoas durante quatro anos. Por isso, a escolha deve ser feita com responsabilidade, observando quem realmente defende os interesses populares e quem apenas busca o voto sem compromisso com as necessidades do povo.
O sociólogo Florestan Fernandes defendia que a democracia somente alcança sua plenitude quando as maiorias populares participam efetivamente das decisões políticas. Isso significa que a presença de trabalhadores, mulheres, negros, jovens, povos tradicionais e representantes comprometidos com as demandas populares fortalece a própria democracia.
As eleições de 2026 representam mais uma oportunidade para que o povo trabalhador faça sua voz ser ouvida. É o momento de reconhecer o valor do próprio voto, analisar trajetórias, compromissos e posições políticas, e escolher representantes que conheçam a realidade do povo e estejam dispostos a defendê-la.
Democracia forte não é aquela que beneficia poucos. Democracia forte é aquela que representa a maioria do povo. E a maioria do povo brasileiro vive do seu trabalho, constrói a riqueza deste país todos os dias e merece ter representantes comprometidos com seus direitos, suas necessidades e seus sonhos.
O voto consciente continua sendo uma das mais importantes ferramentas de transformação social. Quando o povo reconhece sua força e participa ativamente da política, a democracia se fortalece e a esperança se transforma em mudança concreta.

