Tem quem ame e quem despreze…colecione ou jogue fora
Se fosse escolher o objeto mais importante já inventado, qual você escolheria? Sua máquina de fazer café, o bisturi da cirurgia que salvou sua vida, o pincel com que Van Gogh pintou Os Girassóis? O trem de ferro, o celular, ou o computador? Com tantas coisas essenciais criadas pela e para a humanidade, fica difícil escolher qual seria o objeto mais influente em nossas vidas. Alguém citaria o livro?
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Antes que abril desaparecesse do calendário na parede, tivemos o dia 25 para homenagear, com pompa e circunstância, um dos mais poderosos e influentes objetos criados pelos humanos: o Dia Internacional do Livro. Quem nunca leu pelo menos um, ou não tem pelo menos um exemplar na estante ou na gaveta? Ou muitos substituindo o pé quebrado da cama? Pequenos ou fartos volumes de papel e tinta, tipos e ideias são impressos diariamente em todos os idiomas, dialetos, e formatos: libreto, romance, papiro, novela, alfarrábio, maçudo, volume, folheto, livreto, opúsculo, catatal…
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Tem quem ame e quem despreze, colecione ou jogue fora. Muitos que leram muitos e muitos que nunca leram um sequer. Gostaria de estar entre esses primeiros, mas minha lista de leituras empalidece diante de grandes façanhas de fanáticos leitores lendo montanhas de volumes, embora ninguém tenha lido todos os livros impressos. Talvez apenas o deus do livro, que, se não existe, precisa ser inventado. Afinal, livros são armas poderosas, capazes de mover montanhas e mudar os ciclos da história.
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O livro mais antigo de que se tem notícia era a Epopeia de Gilgamesh, 2.000 A.C. Outro volume muito menor o superou: Instruções para Churupaque, 2.500 A.C. O livro mais publicado é a Bíblia, que, sendo um livro religioso, leva a vantagem da obrigatoriedade. Consulto as listas dos livros mais lidos de todos os tempos e as dos melhores livros já publicados e os resultados variam, embora haja muitas inclusões comuns a todas. Mas isso depende do tempo em que foram publicados – lia-se mais quando não tínhamos cinema e televisão, lia-se menos quando as escolas não exigiam leitura obrigatória? Ou porque agora preciso de óculos?
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Alguns dos livros citados em várias listas: Os Miseráveis, Victor Hugo; Frankenstein, Mary Shelley; Drácula, de Brian Stocker; O Morro dos Ventos Uivantes, Charlotte Bronté; O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde; Sherlock Holmes, Connan Doyle; Os Irmãos Karamazov, Dostoiewsky; Guerra e Paz, Tolstoy; A Metamorfose, Kafka; A Odisséia, Homero; Divina Comédia, Dante; Orgulho e Preconceito, Austen…listas de mais-isso ou mais-aquilo são sempre injustas, ou falhas, e muitas grandes obras ficam sempre esquecidas… Moby Dick, Os Luziadas, Dom Quixote, Dom Casmurro…
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A maioria dos livros tem dedicatórias ou agradecimentos, com algumas pérolas de imaginação: Mark Twain, na página de rosto de As aventuras de Huckleberry Finn: “As pessoas tentando encontrar um motivo para essa narrativa vão ser executadas; as pessoas tentando achar uma lição de moral vão ser banidas, as pessoas tentando encontrar um enredo vão levar um tiro”. Em A Vida Desse Boy, Tobias Wolff escreveu: “Meu primeiro padrasto costumava dizer que tudo que eu não sabia encheria um livro. Bem, aqui está ele.” A dedicatória de Toni Morrison no livro Amada leva a palma de ouro: “Sessenta milhões e muitos mais”, referindo-se às vítimas do tráfico de escravos na travessia dos mares.

