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Justiça para todos

A reforma do Judiciário e o Brasil que queremos em 2026

Por José Carlos Pigatti

O debate sobre a reforma do Judiciário voltou ao centro da vida nacional, e não por acaso. Em um país marcado por desigualdades profundas, discutir Justiça é, no fundo, discutir para quem o Estado funciona.

A presença de Flávio Dino nesse debate ajuda a iluminar uma questão essencial: não basta que o Judiciário exista, é preciso que ele sirva ao povo. E isso, embora pareça óbvio, está longe de ser realidade no Brasil.

Durante décadas, a Justiça brasileira foi percebida como lenta para quem precisa e ágil para quem pode pagar. Distante das periferias, complexa para o trabalhador, muitas vezes inacessível para quem mais necessita dela. Essa não é apenas uma falha técnica, é uma marca estrutural de um país desigual.

Mas o Brasil também viveu momentos em que a própria democracia esteve em risco. O que aconteceu no 8 de janeiro de 2023 não foi um episódio isolado: foi o retrato de um projeto autoritário que tentou romper as regras do jogo. E, naquele momento, ficou evidente o papel decisivo das instituições, entre elas, o Judiciário, na defesa da democracia.

É exatamente por isso que a reforma do Judiciário não pode ser capturada por discursos superficiais. Não se trata apenas de eficiência, nem apenas de cortar privilégios. Trata-se de algo maior: construir uma Justiça que seja instrumento de igualdade, e não de manutenção de privilégios.

Para o povo trabalhador, esse é o ponto central.

Queremos um Judiciário que funcione para a trabalhadora que espera anos por um direito básico. Para o jovem da periferia que enfrenta um sistema penal desigual. Para as mulheres que lutam contra a violência. Para o povo negro, historicamente criminalizado. Para quem nunca teve advogado, mas sempre teve problemas.

Isso significa democratizar o acesso, fortalecer a Defensoria Pública, garantir transparência e enfrentar o elitismo que ainda marca os tribunais. Significa entender que aplicar a lei não é um ato neutro quando a sociedade é profundamente desigual.

Mas também exige responsabilidade: defender um Judiciário comprometido com o povo não é enfraquecê-lo, é fortalecê-lo com legitimidade social.

E é aqui que entra a importância dos debates que estão em pauta para as eleições de 2026.

As próximas eleições não serão apenas uma disputa de nomes. Serão uma disputa de projetos de país. De um lado, forças que historicamente tentam capturar as instituições para proteger privilégios e, quando perdem, flertam com o autoritarismo. De outro, um campo que acredita que democracia só é real quando chega à vida concreta das pessoas.

A pergunta que precisamos fazer não é abstrata: que Justiça queremos na sociedade que estamos construindo? Uma Justiça distante, que fala difícil e atende poucos? Ou uma Justiça viva, popular, que garante direitos e sustenta a democracia? Não existe neutralidade nessa escolha.

Reformar o Judiciário é, portanto, parte de um projeto maior: o de um Brasil justo, mais igual e verdadeiramente democrático. E esse projeto não se constrói apenas nos tribunais, mas também nas urnas, na organização popular e na consciência política.

Em 2026, mais do que votar, será preciso decidir de que lado da história queremos estar. Porque, no fim das contas, Justiça de verdade não é aquela que apenas julga, é aquela que transforma.

O povo trabalhador, que constrói a riqueza da sociedade, porém não fica com a parte que possa atender suas necessidades, e agora não vai fugir de nenhum debate, vamos enfrentá-lo e afirmar à sociedade que estamos construindo, com justiça, igualdade, solidariedade e paz.

Não basta que a justiça trate a todos iguais perante a lei, é preciso que a justiça seja igual para todos.

Que o povo trabalhador fique atento aos principais debates que surgem neste processo eleitoral e levantem a bandeira da reforma do Judiciário. Vamos enfrentar, mas vale também para a economia, a segurança pública, a saúde, a educação, a mobilidade urbana e os demais direitos sociais.

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