Eram duas aeromoças: uma negra e uma branca
Rainha dos céus e dos aeroportos, a Varig foi uma das melhores empresas a riscarem o azul dos céus entre 1927 e 2006. Em sendo tempo de eleições, convém lembrar: começou no governo de Washington Luís e terminou sombriamente no primeiro governo Lula. A Varig foi a primeira e por muito tempo a única linha aérea brasileira, em seus bons tempos se igualando às maiores empresas de aviação do mundo.
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Sumiu pelos ares, mas seu impecável serviço de bordo deixou saudades. Corria o ano de 1975 quando voei pela primeira vez para os Estados Unidos, nos sombrios tempos da ditadura que não deixou saudades:, então com Ernesto Geisel no Planalto. O trecho Brasil-Miami transcorreu sem novidades: serviço de bordo impecável, poltronas confortáveis, céu de brigadeiro. Segundo trecho: Miami – Carolina do Sul, onde meu marido obteve o mestrado em Comércio Internacional.
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Eram duas aeromoças: uma negra e uma branca, cada qual atendendo passageiros específicos, e um passageiro negro resolveu se divertir: todas as vezes que a branca passava no corredor, ele pedia alguma coisa. Ela nada respondia, voltava à cabine e mandava a negra ir ver o que ele queria… Isso durou todo o voo, e ela nem mesmo repetia o que ele havia solicitado! Filmes abundam em exemplos da arraigada discriminação racial americana, mas foi um choque. Retornamos com um diploma no bolso e mais uma filha no colo.
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A Varig usou a imagem de Ícaro nas aeronaves, mas percebeu a tempo que não era uma boa ideia: afinal, o incauto voador chegou muito perto do sol, provocando o primeiro acidente aéreo do mundo. Em 1961, o emblema da Varig passou a ser a Rosa dos Ventos: governo Juscelino Kubitschek. O padrão de excelência da Varig superava o da Pan Am, a maior empresa de aviação do mundo. Outra que chegou muito perto do sol…
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Criada no mesmo ano que a Varig, a Pan Am manteve o monopólio dos céus por quase todo o século 20. Fechou as asas em 1991. Na Segunda Guerra Mundial tivemos a Era Vargas, que durou mais do que devia. Nesse nefando período da história mundial, o então presidente da Varig – uma empresa criada por descendentes de alemães no Rio Grande do Sul – colaborava com a espionagem nazista no Brasil.
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Os aviões voam, mas o tempo não tem pressa. Mudam os donos dos ares mas as rotas persistem: os arranha-céus de Dubai ou os Lençóis Maranhenses? O preço das passagens sobe enquanto os assentos encolhem, e as tarifas mudam mais depressa que os governos. Em tempo de eleições, não deixe de exercer o seu sagrado direito de voto, nunca esquecendo que se é ruim com elas, é pior sem elas. Viajar e votar é direito de todos!

