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O voto do povo trabalhador: a maioria que precisa se tornar poder

Por José Carlos Pigatti

As eleições são um dos momentos mais importantes da vida democrática. É quando cada cidadão e cada cidadã recebe nas mãos um instrumento poderoso: o voto. Para o povo trabalhador, que constrói diariamente a riqueza do país com seu trabalho, esse momento tem um significado ainda mais profundo. Afinal, quem produz, quem trabalha, quem movimenta a economia e sustenta a sociedade constitui a maioria da população brasileira e, consequentemente, a maioria do eleitorado.

Mas uma pergunta precisa ser feita: se somos maioria na sociedade, por que tantas vezes nossas necessidades continuam em segundo plano nas decisões políticas?

Os clássicos do pensamento social e político ajudam a compreender essa realidade. Karl Marx observou que as classes sociais possuem interesses distintos e que a disputa pelo poder político influencia diretamente a distribuição das riquezas produzidas pela sociedade. Antonio Gramsci destacou que a participação popular e a organização política são fundamentais para que os setores populares possam exercer sua influência nos rumos do Estado. Já Paulo Freire ensinou que a consciência crítica é condição indispensável para que o povo seja sujeito de sua própria história.

Quando o povo trabalhador escolhe representantes comprometidos prioritariamente com os interesses das classes mais privilegiadas, abre mão de ocupar os espaços onde são tomadas as decisões sobre o orçamento público. E é justamente nesses espaços que se define para onde irão os recursos arrecadados com os impostos pagos por toda a sociedade.

Por isso, frequentemente assistimos à destinação de benefícios estruturais para grandes grupos econômicos, como incentivos fiscais, subsídios, financiamentos especiais e outras formas de apoio estatal. Enquanto isso, milhões de trabalhadores seguem enfrentando dificuldades para acessar serviços essenciais como saúde, educação, transporte público, moradia digna e segurança.

A diferença é simples de compreender. As classes mais abastadas possuem recursos para adquirir grande parte dos serviços de que necessitam. Já a maioria da população depende das políticas públicas para garantir direitos fundamentais. Quem depende do Sistema Único de Saúde precisa de um SUS forte. Quem depende da escola pública precisa de investimentos permanentes na educação. Quem vive do próprio trabalho necessita de políticas que gerem emprego, renda e proteção social.

Por essa razão, o processo eleitoral exige reflexão e consciência. O voto não deve ser guiado apenas por promessas de campanha ou discursos de ocasião. É preciso observar a trajetória de cada candidato. Quem esteve presente nas lutas dos trabalhadores? Quem defendeu os serviços públicos? Quem apoiou a valorização dos salários? Quem lutou pelos direitos dos agricultores familiares, dos professores, dos profissionais da saúde, dos aposentados, da juventude e das mulheres trabalhadoras?

A verdadeira representação política nasce da identidade entre representado e representante. Quem conhece as dificuldades do povo, quem caminhou ao seu lado e compartilhou suas lutas, possui mais condições de compreender suas necessidades e defendê-las nos espaços de decisão.

A democracia não se fortalece apenas no dia da votação. Ela se fortalece quando o povo participa, acompanha, fiscaliza e escolhe conscientemente aqueles que irão representá-lo. O voto é uma ferramenta de inclusão política, capaz de transformar a maioria numérica em maioria nas decisões.

Estamos diante de mais um importante processo eleitoral. É hora de olhar para a história, para a prática e para os compromissos concretos de cada candidatura. É hora de identificar quem realmente esteve ao lado do povo trabalhador nos momentos difíceis e quem defendeu seus direitos quando isso exigiu coragem e compromisso.

Que venham as eleições. Que venham o debate, a participação e a esperança. Que o povo trabalhador exerça plenamente sua cidadania e faça da democracia um instrumento de justiça social. Afinal, um país verdadeiramente democrático é aquele em que a maioria da população também tem voz, vez e representação.

Como ensinava Paulo Freire, “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”. A construção de um país para todos começa com a participação consciente de todos. E essa construção passa, necessariamente, pelo poder transformador do voto popular.

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