A Mágica Deriva dos Elefantes (2012) é um disco imersivo, que nos leva a uma viagem espacial e sensorial. Mais uma vez o universo onírico se faz presente no trabalho do Supercordas, que reafirma seu estilo híbrido neste segundo álbum. Ruídos, guitarras distorcidas, batidas eletrônicas, sintetizadores e microfonias, tudo isso aglutinado a arranjos muito bem produzidos.

A primeira música Mumbai, dividida em três estágios, começa com sons misteriosos e o chiado característicos dos LPs junto com a voz abafada de Bonifrate. Depois a melodia fica mais pop, mas com uma guitarra distorcida para contrapor. No final, o andamento da melodia cai e se torna mais denso com as diversas nuances sonoras.
A faixa seguinte, Orquestra de Mil Martelos, é uma valsa-rock com uma pegada Led Zeppelin que é cortada ao final pelo som de um chocalho dançante. Mesmo com diversas referências, o rock’n roll é bastante presente no álbum sucessor de Seres Verdes ao Redor (2006).
Seguindo a mesma linha psicodélica e surreal, Um Grande Trem Positivista lembra as baladas de Raul Seixas com trechos como “Lutando com pauzinhos / Por um grão de sal” ou “Você não vai parar/ Se à frente houver alguém / Mas um dia eu vou e te descarrilho”. A canção se completa com um belo solo de gaita.
O Céu Sobre Nossas Cabeças é talvez a música que acumula mais texturas e estilos para criar em um clima de rock psicodélico contemporâneo. Enquanto em Belo Horizonte, cheia de interferências esquisitas, Bonifrate “rouba” uns versos de Camões, “Fui mau, mas fui castigado / Assim que, só para mim / Anda o mundo concertado”.
A mistura de instrumentos é também muito interessante, a viola em Declínio e Queda do Império Magnético é um detalhe que dá um tom meio caipira ao estilo eletrônico e moderno da melodia.
O primeiro single do álbum, Índico de Estrelas, mergulha de vez no onírico com um arranjo orquestral e a letra que fala de uma índia navegante, a qual é oferecida “um mar de lantejoulas para você / poder nadar” e que tem um “sorriso que cabe um vendaval de sorrisos”.
Uma das últimas faixas do disco, a misteriosa Asclepius, com uma história fantástica envolvendo deuses da mitologia. Numa trajetória beatnik, Hermes perde suas certezas e conversa com o Deus da Medicina, “Asclepius, lembre-se que tudo que foi feito / foi feito por alguém / Eu voltei dessas andanças ligeiramente diferente / … / E talvez não haja nada além de um grande acaso”.
Nessa viagem sem destino, A Mágica Deriva dos Elefantes é um disco que cresce e provoca novas experiências a cada audição.
Saiba mais!

