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Análise: Aqui é o Meu Lugar

O bom e velho rock n’ roll sempre esteve ligado ao mundo do entretenimento, usufruindo de entradas e saídas do cinema da mesma forma como o mundo espetacular dos shows. A cortina no entanto se abre e perpassa a tela, e muitas vezes são mostrados os bastidores (quem não gosta de uma fofoca?) com todas as histórias possíveis e imagináveis do submundo pop.

 
Em Aqui é o Meu Lugar, temos um devaneio com a possibilidade de fazer parte da vida de um Astro do Rock, que apesar de não tocar nem compor há muito, ainda vive da imagem gerada em seu auge. Acreditamos pois que se trata de uma estrela (decadente é verdade) que vive uma vida normal – se assim podemos dizer. 
 
Cheyenne (Sean Penn) vive com a mulher e dedica seu tempo ao lar. Fora o protótipo de Robert Smith (The Cure), nada indica o passado glorioso. Com o falecimento de seu pai, tem a possibilidade de reatar uma relação congelada há 30 anos. Para isso começa a investigar a vida dele e descobre um passado torturado em Auschwitz.
 
 
A partir daí o filme sofre uma reviravolta: se antes tínhamos um drama psicológico bem comedido na personagem exótica do músico, a partir do enterro do pai nos deparamos com duas encruzilhadas e o filme se transforma num road movie, com o inerte astro tentando locomover-se pelo país em busca do passado, e um outro filme já batido sobre o holocausto (Hollywood e sua indústria necessitam se reafirmar judeus sofredores constantemente).
 
A trilha sonora depressiva é própria da máscara criada do protagonista, um indie chato minimalista (no pior estilo Radiohead ou Belle and Sebastian), que reflete bem a atuação de Penn, forçada numa articulação letárgica que impede qualquer resposta imediata. 
 
Da mesma forma que sua jornada de autoconhecimento (que nada mais é que a imposição de uma lógica baseada na vida do “pai”) é fadada ao fracasso, uma vez que sendo máscara, nunca se permite uma visualização do interior verdadeiro.
 
Dessa forma o visual, que funciona em nossa época como a superficialidade de qualquer compreensão, é o elemento principal, o protagonista do filme que dirige não só a observação, mas a própria trama, uma vez que o protagonista necessita esquivar-se sempre dos fãs ou dos que reconhecem nele um ex-astro.
 
O cinema assim se reflete numa imagem autômata que passeia como turista pelo país da superfície, num carro bem grande, onde ocupe o máximo de espaço, não deixando assim nenhuma fenda de profundidade.
 
A fotografia soma-se à visualidade pura e se constrói na beleza de qualquer road movie, baseando-se pois na paisagem e em todas nuances do céu refletido no panorama diverso. O tempo de cada cena segue o padrão do protagonista que não consegue mover-se mais rápido numa época onde mensagens pululam a todo instante em computadores e celulares. 
 
É um anacrônico que já não suporta o peso do passado e deve liberar-se disso da mesma forma que sua máscara começa a rachar devido a tanta maquiagem.
 
Serviço
Aqui é o Meu Lugar (This Must Be The Place, EUA, 2011, 118 minutos, 12 anos) 
 
Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 19h.
 
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