Com 30 anos de muita arte e inovação, o Grupo Galpão (MG) vem novamente integrar o imenso elenco de espetáculos nacionais do Festival de Teatro da cidade de Vitória. A companhia se apresenta pela primeira vez com a reconhecida Romeu e Julieta, nesta terça-feira (16), no Teatro Carmélia. O espetáculo que já rodou por 10 países transporta o universo de Shakespeare para o sertão mineiro.
Dirigido por Gabriel Villela, a tragédia dos dois jovens apaixonados é contatada de forma inovadora, evocando elementos da cultura brasileira e uma linguagem inspirada em Guimarães Rosa. “A música é composta de modinhas, serestas, músicas da Belle époche brasileira, e os figurinos e o cenário trazem a marca de um colorido e um espírito “Kitsch” bem típico da nossa cultura popular”, explica Eduardo Moreira, que interpreta o Romeu.

A montagem da tragédia de Shakespeare foi um marco na carreira do grupo, que levou o clássico para as ruas sem alterar a erudição e a universalidade dos versos shakespeareanos, de acordo com a clássica tradução de Onestaldo de Pennaforte. “Fazer o espetáculo é estar num limite. Como ele é apresentado nas ruas, sempre é muito diferente, variando conforme o público e a arquitetura do local da apresentação”, conta Eduardo.
Além de Romeu e Julieta, O Grupo também apresenta a peça Eclipse na quarta-feira (17), também no Teatro Carmélia. A peça faz parte do projeto “Viagem a Tchékhov”, uma extensa pesquisa da companhia sobre a obra do autor russo Tchecov (1860-1904). Para embarcar nessa desafio que começou em 2011, a trupe se dividiu em dois grupos, “o que nos possibilitaria de alguma maneira poder “nos ver de fora”, mas sem que isso causasse uma divisão no nosso trabalho coletivo”, explica a atriz Lydia del Picchia.

O primeiro grupo encenou a peça Tio Vânia (aos que vierem depois de nós), que integrou a programação do Festival de Teatro do ano passado, e o segundo grupo ficou com a montagem do projeto Eclipse, que é uma livre adaptação de uma série de contos do dramaturgo russo. Durante a escolha foram lidos 150 textos que os atores foram experimentando durante os ensaios.
“Nossa primeira tarefa foi a seleção de temas que nos interessassem e que pudessem se transformar em monólogos ou diálogos potenciais para a cena”, conta Lydia. A atriz também explica que enquanto o grupo se aproximava da obra também precisava se concentrar na maneira diferente que o diretor russo Jurij Alschitz propunha para a encenação, “mais centrada no trabalho individual do ator com seu texto”.
A história é sobre cinco pessoas que aguardam o final de um eclipse solar enquanto discutem sobre filosofia. À medida que a espera se torna longa, o confronto dessas visões de mundo desencadeia uma série de situações absurdas. “Eclipse não conta uma história de forma realista, psicológica ou coerente. O que existe é uma moldura dramatúrgica que coloca os atores em posição de defesa de diferentes ideias, nem sempre coincidentes, nem sempre opostas”, afirma.
Serviço

