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Espaços culturais em risco

O luta da Editora Cousa contra ITBI; as dificuldades de espaços no Centro de Vitória; filme capixaba nos cinemas do Estado; e mais

Evento de inauguração do espaço da Editora Cousa, em setembro de 2025. Foto: Redes sociais

Cousa

Saulo Ribeiro, proprietário da Editora Cousa, foi surpreendido ao tomar conhecimento do valor do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) com o qual terá que arcar: R$ 24 mil. Recentemente, adquiriu um imóvel na Rua Duque de Caxias, no Centro, por R$ 150 mil –  no local, além da Cousa, funciona atualmente a Livraria Catraia. O montante é um pouco abaixo do valor de mercado – há muitas casas e prédios “encalhados” na região por falta de compradores. Acontece que o Fisco Municipal calculou o imposto com base em um valor de R$ 1,2 milhão, quase oito vezes o que foi efetivamente pago. Nesta semana, Saulo entrou com recurso no Conselho Municipal de Recursos Fiscais. No documento, afirma que o Fisco utilizou apartamentos residenciais como referência, contrariando normas técnicas de avaliação imobiliária e desconsiderando as características do imóvel comercial. Também é apontada a alta vacância das propriedades na região. Além disso, um laudo técnico estimou o imóvel em cerca de R$ 247 mil. Sendo assim, o recurso pede a anulação da avaliação com redução da base de cálculo para R$ 150 mil ou, alternativamente, R$ 247 mil. 

Dificuldades para permanecer

“As dificuldades para permanecer são imensas. Os valores dos aluguéis são muito baixos, mas os espaços culturais revitalizam esses imóveis. Então, o aluguel aumenta, e a permanência muitas vezes fica inviável. É um paradoxo”, resumiu Saulo Ribeiro, em conversa com Século Diário. No caso dele, o drama atual não é o aluguel, e sim a transmissão do imóvel. Mas há outros espaços culturais no Centro com problemas sérios. A Casa Caipora anunciou que vai encerrar as atividades em outubro devido a dificuldades estruturais. Já a Casa da Stael corre o risco de ter que desocupar o imóvel, que está sendo vendido pelo proprietário.

ReAC

A gestão da prefeita Cris Samorini (PP) lançou oficialmente, esta semana, o Programa de Reabilitação da Área Central de Vitória (ReAC), com previsão de R$ 6 bilhões em investimentos em revitalização e medidas jurídicas para garantir a  ocupação das propriedades ociosas. Sem dúvida, é fundamental revitalizar, mas há o risco de gentrificação – ou seja, a revalorização das áreas pode acabar expulsando de vez quem está lutando para se manter e dar vida aos espaços. Um programa desse tipo precisa ser acompanhado de medidas para que os moradores, comerciantes e espaços culturais tenham condições efetivas de sobrevivência – ou então será apenas um projeto de preparação imobiliária para as classes abastadas, como é comum acontecer. A Associação de Moradores e Amigos do Centro de Vitória (Amacentro) quer participar dessas discussões e é importante que a gestão municipal abra espaço de escuta..

Margeado: filme capixaba nos cinemas 

Até a próxima quarta-feira (26), o filme capixaba “Margeado”, do diretor Diego Zon, fica em cartaz em diversas salas de cinema do interior do Espírito Santo: Cine Ritz Sul, em Cachoeiro de Itapemirim (sul); Cine Gama, em Colatina (noroeste); Cine Ritz Conceição, em Linhares, e Cine Ritz São Mateus, em São Mateus (norte). O longa-metragem já passou por festivais e também está sendo exibido em salas Brasil afora. Entre os atores e atrizes estão Antônio Pitanga, Danilo Andrade, Eliane Correia, Etien Khouri e Verônica Gomes.

Divulgação

Sinopse

Rodado nas regiões norte e sul do Espírito Santo, o filme de ficção aborda a migração de um povoado diante do rompimento de uma barragem de lama tóxica. Inicialmente, a história se situa em uma vila pesqueira acometida por um problema que impossibilita a manutenção de costumes construídos por várias gerações. Depois, a narrativa se desloca para comunidades de regiões montanhosas do interior.

Mostra Inútil

Neste sábado, a partir das 19h, o Centro Cultural Eliziário Rangel, na Serra, recebe a Mostra Inútil. O evento, uma iniciativa do projeto Poesia Inútil, reúne audiovisual, música e literatura em um encontro dedicado à arte, à criatividade e à troca de experiências. A ideia é compartilhar diferentes formas de expressão artística e celebrar a cultura. O Eliziário Rangel fica na Rua Humberto de Campos, 1201, bairro São Diogo I.

Nemo

A partir do desabafo em um diário, Reya Perovano transforma seus temores e indecisões em “Nemo”, livro ilustrado que traz uma escrita poética sobre a impermanência da identidade. O lançamento do segundo livro da autora será na quarta-feira (26), às 19h, na Thelema, localizada no Centro de Vitória. Na semana seguinte, a escritora participa de uma oficina de zines no dia 2 de setembro, na Biblioteca Municipal de Cariacica, sua cidade natal. Finalizando a primeira circulação de lançamento do livro, no dia 10 de outubro, às 17h, será realizada uma roda de conversa na Biblioteca Cine por Elas, em Vila Velha (ES). Todos os eventos são gratuitos. 

Davi Tonani

Estúdio Animazul

Turmas do ensino fundamental II da rede pública de Vitória e crianças e adolescentes de instituições sociais poderão participar, gratuitamente, de oficinas de cinema de animação em setembro e outubro, por meio do projeto Estúdio Animazul. Com duração de três horas, as atividades ensinarão técnicas de stop motion e pixilation, utilizando materiais como papel, massinha, areia e os próprios participantes. O projeto oferecerá 18 vagas para turmas de até 35 alunos, do 6º ao 9º ano. As inscrições deverão ser feitas por professores ou pedagogos responsáveis pelo site cine.animazul.org.br, entre segunda (24) e sexta-feira (28). As oficinas ocorrerão pela manhã, nas escolas e instituições participantes. A realização é da animadora Marinéia Lima Anatório, em parceria com o Instituto Marlin Azul.

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