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O conservadorismo em alta e seus impactos na eleição para governador

O contexto político nacional no pleito capixaba; o lançamento do “Time do Lula”; agendas; e mais

Sessão solene na Assembleia Legislativa em homenagem a Jair Bolsonaro, realizada em 2023. Foto: Lucas S. Costa/Ales

Mudança de contexto

Desde 1982, o Espírito Santo elegeu como governadores políticos identificados com a oposição à ditadura militar (1964-1985) e/ou lideranças que ganharam força no processo de redemocratização do Brasil. Isso não quer dizer que a esquerda predominou entre os governantes. Na verdade, os gestores caminharam mais para o espectro político do centro e da direita. O exemplo mais emblemático é o do ex-governador petista Vitor Buaiz (1995-1999), que implementou um programa de desestatização e sofreu oposição de deputados de seu próprio partido na Assembleia Legislativa do Estado (Ales). Acontece que, nos últimos anos, a extrema direita saiu do armário e o panorama político brasileiro mudou bastante, sobretudo a partir da eleição para presidente em 2018, consagrando um defensor declarado do período ditatorial: Jair Bolsonaro (PL). Em 2022, Bolsonaro recebeu 58,04% dos votos em território capixaba em disputa contra Lula, e o candidato a governador bolsonarista Carlos Manato chegou ao segundo turno, algo que não acontecia no Estado desde 1994. Esse novo contexto se acentua nas eleições deste ano, com o fim do “revezamento” entre Paulo Hartung (PSD) e Renato Casagrande (PSB) no Executivo estadual e uma mudança significativa no perfil das principais candidaturas para o Governo do Estado.

Os sinais de Ricardo Ferraço

O governador Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição, tem feito sinalizações cada vez mais abertas em direção à extrema direita, a ponto de participar de encontro armamentista em Vila Velha. Ele foi vice de Hartung e de Casagrande e diz não gostar de “disputas ideológicas”, mas suas ações o entregam. Quando senador, votou a favor do impeachment contra Dilma Rousseff (PT) e foi relator da Reforma Trabalhista. Além disso, é filho do prefeito de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Theodorico Ferraço (PP), um ex-deputado federal da Arena, partido da ditadura – que, é verdade, depois se converteu em defensor da redemocratização.

Pazolini aposta no bolsonarismo

Lorenzo Pazolini (2020) teve como um de seus primeiros “grandes feitos na política”, ainda como deputado estadual, uma ação de “fiscalização” no Hospital Estadual Dório Silva, em 2020, em plena pandemia, alinhado ao que pregava Jair Bolsonaro na época. Também se posicionou a favor da anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente. Ao mesmo tempo, como prefeito de Vitória, buscou distância de certas pautas da extrema direita, tentando alimentar a imagem de gestor pragmático. Nas eleições deste ano para governador, abraçou de vez o bolsonarismo como estratégia eleitoral para se diferenciar de Ricardo, inclusive aceitando direcionamento do senador Magno Malta (PL) em sua chapa.

MBL na disputa com Breno Barcelos

O candidato Breno Barcelos promove a estreia do Missão nas eleições para governador do Espírito Santo. O partido é uma criação do Movimento Brasil Livre (MBL), que ganhou força a partir das manifestações contra a então presidente Dilma Rousseff, em 2015 e 2016. O Missão tem apostado na pauta da segurança pública e em uma controversa proposta de “desfavelização” do Brasil, com contornos higienistas. O MBL também já foi denunciado por ex-membros que identificaram tolerância com ideias neonazistas no movimento, apesar de esse tipo de denúncia não envolver integrantes capixabas.

Helder e o lulismo

Helder Salomão (PT), por sua vez, entrou na disputa com o retrospecto de deputado federal capixaba mais votado em 2022, com a missão de sustentar o palanque do presidente Lula no Espírito Santo. Há um bom tempo, setores da esquerda acusam os lulistas de terem abandonado suas bases sociais tradicionais e de pragmatismo excessivo, o que contribuiria para o empoderamento de setores conservadores. Por outro lado, a esquerda mais pragmática aponta para o contexto desfavorável de correlação de forças, com a extrema direita em alta. Inclusive, o PT terá que superar um alto nível de rejeição para tentar alcançar o segundo turno das eleições para governador.

Rafael Demuner e a esquerda radical

A candidatura de Rafael Demuner a governador significa a estreia da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) nas eleições no Espírito Santo, representando a chamada esquerda radical. A presença eleitoral garante um mínimo de divulgação de ideias que buscam avançar onde o lulismo não chegou, mas a sigla (e, na verdade, o conjunto desse campo político) ainda tem um peso extremamente reduzido. Será necessário mais alguns anos de luta para tentar reverter esse cenário.

Lançamento do Time do Lula

A campanha eleitoral começou oficialmente no domingo (16), mas os principais candidatos do “Time do Lula” no Estado – Helder Salomão e o senador Fabiano Contarato – vão ser lançados oficialmente neste sábado (22). O evento acontecerá no Centro Esportivo e Sindical do Sindibancários, na Ilha de Santa Maria, em Vitória, a partir das 9h.

Feiras

Lorenzo Pazolini segue privilegiando as feiras livres em atividades de campanha. A agenda desta sexta-feira (21) inclui visitas às feiras de Jardim Camburi (Vitória); Paul e Coqueiral de Itaparica (Vila Velha); e Serra Dourada III (Serra).

Café com defensores

Já o governador Ricardo Ferraço divulgou nesta sexta-feira participação em um café com a Associação dos Defensores Públicos do Estado do Espírito Santo (Adepes).

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