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Seminário internacional abre espaço para fotógrafos alternativos

 
O Seminário Sobre Fotografia vai dedicar três dias para apresentar e discutir o trabalho de três fotógrafos de estilos e origens bem diferentes. O evento começa nesta segunda-feira (2) e vai até a quarta-feira (4), na Universidade de Vila Velha. “Queremos proporcionar ao público capixaba o contato com trabalhos fora do circuito comercial e de uma estética totalmente autoral. Além disso, os interessados também poderão conversar e tirar dúvidas com os convidados”, explica Tom Boechat, um dos coordenadores do evento. 
 
Fotógrafo e professor do Departamento de Artes Visuais da Ufes, Tom comenta que quando era estudante de fotografia sentia falta de ter essa aproximação com artistas e trabalhos de estéticas diversas. Por isso, realizar esse seminário é um projeto de longa data, “até hoje, vejo que eventos de fotografia não acontecem com frequência em Vitória, geralmente são encontros ou cursos isolados e destinados a profissionais da área”, diz.
 
O seminário é aberto ao público. Para participar não é necessário fazer inscrição e nem ser aluno da universidade. “O projeto foi realizado com dinheiro público e pensado para a comunidade em geral”, garante. O Seminário contou com o patrocínio da Lei Vila Velha Cultura Arte, da Prefeitura de Vila Velha.
 
Quando Tom escolheu nos convidados, ele queria que fossem artistas com imagens e registros que tivessem questionamentos e reflexões diferentes entre si, e que o ponto em comum fosse um trabalho pessoal e ligado à fotografia contemporânea. O primeiro convidado que ele pensou foi o David Wells, fotógrafo estadunidense com longa experiência, tanto de campo quanto de sala de aula. 
 
“David foi meu professor há 20 anos no Centro Internacional de Fotografia de Nova York, e só agora consegui trazê-lo para Vitória. O trabalho dele geralmente aborda temas sociais e econômicos como a crise imobiliária americana, o conflito Israel/Palestina e a globalização na Índia”, explica.
 
O fotógrafo que vai ministrar o seminário do segundo dia é o carioca Ratão Diniz. “Ele é ligado ao contexto brasileiro. Ratão é morador da favela da Maré e suas fotografias revelam o olhar do morador, muito diferente das imagens que costumamos ver da favela, feita por aqueles que estão de fora”. Diniz aprendeu fotografia na Escola de Fotógrafos Populares do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro e hoje trabalha como freelancer Brasil afora.
 
A terceira convidada é a fotógrafa Annu  Palakunnathu. Filha de pais indianos, nascida na Inglaterra e naturalizada americana. Annu trata de temas como identidade e a situação da mulher e do imigrante na atualidade. Seus trabalhos estão inseridos no campo da fotografia contemporânea e são expostos em galeria e museus de arte. Em uma de suas séries mais famosas, utiliza a estética dos cartazes de Bollywood, como é chamado o cinema indiano, para tratar da dura realidade das mulheres naquela cultura.
 
Durante os três dias do Seminário, os convidados apresentarão suas fotografias e falarão sobre seu trabalho, “dessa forma o público e o artista vão refletir juntos sobre o pensamento por trás da imagem”, explica Tom Boechat.
 
Exposição
 
Nesta sexta-feira (30), abrirá a exposição Memória, de Annu Palakunnathu, na OÁ Galeria. Em formato especial, a artista fica em cartaz até o dia 06 de junho. Palakunnathu mostra fotografias da série Memórias da Índia e Re-geração, as últimas apresentadas em animações em Ipad
 
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A formação mista ou “masala” molda continuamente a vida da artista. Seu trabalho baseia-se na veracidade presumida de fotografias para estimular uma reflexão crítica sobre o poder da imagem e seu efeito sobre a percepção da memória, da família e da modificação das culturas ao longo do tempo.
 
Serviço
 
O Seminário Sobre Fotografia começa nesta segunda-feira (2) e segue até a quarta-feira (4), às 19h30, no Cineteatro da UVV, no campus Boa Vista, em Vila Velha. As palestras dos convidados internacionais terão tradução simultânea. O evento é gratuito.

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