Uma reunião realizada na noite desta terça-feira (3) vai definir a organização de um evento, que está sendo chamado de Grande Baile Funk no Shopping Vitória, em resposta ao episódio ocorrido no último sábado (30) no estabelecimento, quando dezenas de jovens se abrigaram no shopping depois de um baile ao ar livre nas proximidades ter sido encerrado pela Polícia Militar.
Após o fato, movimentos sociais se mobilizaram e propuseram a realização do baile. A abordagem policial truculenta foi denunciada por pessoas que presenciaram a ação. Durante o tumulto, nenhum tiro foi disparado, nada foi roubado e não houve depredação das lojas, ou um suposto arrastão, como a polícia classificara a entrada dos jovens no shopping.
As pessoas que eram julgadas suspeitas – a maioria negros – foram perfiladas, sem camisa, na Praça de Alimentação do shopping e depois conduzidas em fila indiana para fora do estabelecimento. Após a chegada à delegacia, todos foram liberados, já que não havia nenhuma evidência que apontasse a prática de crime.
Durante a entrega do Prêmio Estadual de Direitos Humanos, o homenageado, o ativista Rafael Nascimento Miranda, o Feijão, que conduzia um jogral, lembrou do episódio. “Lembremos aqui, também, o ocorrido no dia 30 de novembro, último dia do Mês da Consciência Negra, quando jovens, a maioria negros da periferia, foram tratados como bandidos, convocados a se retirar em fila indiana – prática muito conhecida nos presídios deste Estado – foram humilhados dentro do maior shopping deste Estado, ferindo um dos maiores princípios dos direitos humanos que é a dignidade. Pedimos às entidades que não deixem este caso em vão, que o Ministério Público denuncie este governo e que o Estado Presente não defenda os patrimônios, mas sim a vida humana”.

