Praias da região foram tomadas por peças plásticas nesse sábado
A Associação de Moradores de Manguinhos (Amman) acionou órgãos ambientais e a concessionária Ambiental Serra, responsável pelo saneamento do município, cobrando respostas para centenas de peças plásticas, semelhantes a biomídias, utilizadas em sistemas de tratamento de esgoto encontradas espalhadas pela faixa de areia das praias de Manguinhos e Curva da Baleia, em Jacaraípe, na manhã desse sábado (13).
Os fragmentos foram encontrados por moradores que caminhavam pela orla e perceberam grande quantidade do material distribuído ao longo da praia. Segundo a presidente da associação, Morena Joffily, a primeira identificação ocorreu a partir da estranheza do formato e da concentração dos itens na areia. De acordo com ela, engenheiros da própria comunidade apontaram que o material é comumente utilizado em Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) que operam com a tecnologia MBBR (Moving Bed Biofilm Reactor), sistema que utiliza peças plásticas como suporte para o crescimento de biofilmes responsáveis pelo tratamento do esgoto.

A Ambiental Serra alegou para a associação que não utiliza esse tipo de material em suas unidades, e que o material encontrado seria mais comum em estações compactas de tratamento, geralmente associadas a empreendimentos privados. A Prefeitura da Serra também foi acionada e enviou equipes de fiscalização ambiental e limpeza urbana ao local. “Eles fizeram um percurso ali do Córrego Laripe até a Vila de Manguinhos, e retiraram uma quantidade grande desse material da areia”, afirma Morena.
Após as primeiras informações, a hipótese levantada passou a ser a possibilidade de o material ter origem em condomínios, como os da região de Feu Rosa ou outros empreendimentos mais acima”, como aponta Morena, citando análises de engenheiros da comunidades. Apesar da limpeza emergencial, moradores seguem alertas pela possibilidade de recorrência, já que parte do material pode ter sido levado ao mar pela maré, dificultando a remoção completa.
Além da origem ainda desconhecida, o caso levanta preocupações sobre os impactos ambientais do material no ecossistema costeiro, ressalta Morena, que observa o risco potencial para a fauna marinha, a vida na faixa de areia e até para atividades como pesca e turismo local. A associação afirma ainda que não há registro de episódio semelhante anterior na região, o que aumenta a preocupação da comunidade local.

Enquanto a origem do material segue sem resposta, moradores cobram investigação mais aprofundada por parte dos órgãos ambientais e responsabilização caso seja identificado descarte irregular. “Esperamos que descubram de onde veio e tomem as devidas providências, com multa e responsabilização, se for o caso. O mais importante é que isso não volte a acontecer”, conclui Morena.
A Prefeitura da Serra foi novamente acionada por Século Diário para informar se há investigação formal em andamento sobre a origem do material, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria. A Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) também foi procurada para comentar se há alguma possível relação com sistemas de tratamento de esgoto sob sua responsabilidade ou fiscalização, mas igualmente não respondeu. A Polícia Ambiental, segundo a associação, foi acionada por moradores, mas não houve detalhamento sobre a abertura de procedimento formal de investigação até o momento.

