Quando um grande e populoso município defende a instalação de um empreendimento da ordem de um Porto de Águas Profundas (Portaes) – não por acaso conhecido popularmente por superporto, por sua magnitude e profundidade, que ultrapasse os 15 metros –, espera-se que o assunto seja minimamente debatido com a população, já que se trata de algo com grandes implicações sociais e ambientais. Porém, o prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PR), ao convocar um seminário sobre a questão para a próxima quinta-feira (6), preferiu não convidar os representantes da população e dos movimentos sociais da cidade, em especial o Fórum Popular em Defesa de Vila Velha (FPDVV).
Segundo o site da prefeitura, o seminário objetiva debater a questão “com a sociedade e especialistas” – mas, pelo jeito, preferiu-se deixar de lado um importante segmento da primeira.
E há questões sérias para serem debatidas. Apesar de Neucimar em geral levantar apenas a questão financeira do porto, a população da cidade precisa e quer debater, como já demonstrado pelo fórum, a locação do empreendimento e os possíveis impactos sociais e ambientais do projeto. O FPDVV argumenta, por exemplo, que não foi apresentada nenhuma alternativa de local em Vila Velha para a instalação do complexo.
Pescadores da região da Ponta da Fruta apontam que a área pode sofrer com o empreendimento, tendo como principal fator o provável aumento da erosão, que já é alta no local. Para o FPDVV, barrar a instalação do porto na região é uma das principais reivindicações.
O próprio nome do evento da prefeitura já diz a que veio: “Porto indústria: ponte para o desenvolvimento”. Sem deixar brechas, o discurso é claro e não permite desvios que contestem a instalação do superporto na cidade. O seminário vai contar com a presença do governador Renato Casagrande e do vice-presidente do Complexo Portuário de Suape (PE), Caio Ramos, além do próprio prefeito e de especialistas. O presidente da Companhia das Docas do Espírito Santo (Codesa), Clovis Lascosque, também confirmou presença.
Na última semana, o FPDVV realizou outro seminário para debater a questão, que contou com a presença de quase 200 pessoas. Segundo Irene Leia, coordenadora do fórum, a intenção dos debates não era apenas falar mal do empreendimento, mas sim colocar a questão em debate. O FPDVV convidou, inclusive, representante da prefeitura para compor a mesa do seminário, mas ninguém compareceu.
“É sempre apenas um ponto de vista que pode ser falado”, afirma Irene. “Não me parece que eles estão interessados em um debate verdadeiramente democrático”, reclamou a militante.

