Esse nítido conflito de interesses foi, inclusive, alvo de especulações em torno dos próprios motivos que levaram a nomeação de Vescovi, que era integrante do time de secretários mais próximos do governador Paulo Hartung (PMDB), correligionário de Temer. Mesmo com o Estado saindo no prejuízo, tendo em vista que paga por juros compostos (juros sobre juros) e não com base em juros simples – obtidos pelos demais estados em liminares concedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) –, Hartung vem defendendo a antiga cobrança, mesmo que seja mais onerosa aos entes estaduais.
O posicionamento levantou dúvidas sobre a influência de Hartung com vistas à posição do Estado no caso, notadamente contrária à postura adotada pelos demais estados que sofrem com os efeitos mais severos da crise econômica, e a nomeação de Vescovi. Nos meios políticos, a indicação da ex-secretária capixaba é vista como a participação de Hartung no governo Temer. Além disso, desde o anúncio da ida ao Tesouro, o nome de Vescovi passou a ser cotado como uma possível sucessora ao Palácio Anchieta em 2018.
Durante a reunião dessa quinta, os secretários da Fazenda de 16 estados e a equipe econômica negociavam ajustes no Projeto de Lei Complementar (PLP) 257, que trata da renegociação das dívidas dos Estados com a União. No encontro, não houve acordo sobre a mudança nos critérios de correção do atual estoque da dívida, bem como o prazo de carência para o início do pagamento dos débitos.
O governo e os estados têm pressa em fechar um acordo sobre as dívidas, já que o STF deu prazo até o dia 27 de junho para que se chegue a um consenso. Caso contrário, a Corte deve se pronunciar sobre o mérito das ações movidas pelos Estados.
Segundo informações extraídas do Banco do Central, a dívida do Espírito Santo com o Tesouro Nacional era de R$ 2,1 bilhões até março deste ano, sendo que R$ 1,25 bilhão era vinculado à administração direta. São mais R$ 2,82 bilhões devidos a instituições financeiras públicas, totalizando pouco mais de R$ 4 bilhões em dívidas. A estatística não inclui informações para a dívida externa, mobiliária e junto ao INSS, FGTS ou outras instituições não financeiras que não o Tesouro Nacional.

