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Aliados de Hartung esvaziam manobra protecionista na Assembleia Legislativa

O requerimento da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que garante a reeleição para a presidência da Mesa Diretora da Assembleia começa a tramitar na Casa, mas para os meios políticos terá uma cara diferente da inicial. Isso porque deputados ligados ao governador eleito Paulo Hartung (PMDB) também começam a sinalizar positivamente para o requerimento, o que dá outra conotação à manobra.
 
Onze deputados haviam assinado a PEC, são parlamentares que não foram reeleitos e alguns que não estão alinhados ao governador eleito Paulo Hartung (PMDB) na campanha eleitoral e que vão permanecer na Casa a partir de 2015. Nesse sentido, a estratégia foi vista nos meios políticos como uma manobra de proteção do Legislativo para evitar o controle da Assembleia pelo Executivo, como aconteceu nos dois mandatos de Hartung. 
 
A movimentação dá condições para que o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM) possa ser reeleito para o cargo na legislatura que se inicia em fevereiro próximo. Mas perfil da manobra mudou a partir das manifestações dos deputados Paulo Roberto (PMDB), Elcio Alvares (DEM) e Dary Pagung (PR), que devem assinar a PEC. 
 
A ideia seria desarmar essa manobra protecionista, esvaziando o grupo de resistência e virando o jogo em favor do grupo de Hartung. Além disso, a leitura dos meios políticos é de que essa adesão pode significar uma sinalização de um acordo com Ferraço, decretando sua desistência da reeleição à presidência da Casa. 
 
Nos bastidores do Legislativo estadual, os comentários são de que a manobra pela PEC não partiu do presidente do Legislativo, mas ele também não se esforçou para barrar movimento, o que lhe fortaleceu politicamente. Essa movimentação colocou Ferraço em um jogo político em que ele ganharia com a PEC avançando ou não. 
 
Se não conseguisse um acordo com Hartung, teria como garantia o movimento do plenário que lhe traria uma recondução à presidência da Casa. Em troca da desistência, Ferraço também garante uma pauta de reivindicação que incluiria a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim. Um acordo que seria bom para os dois lados, já que para Hartung a regionalização do poder de Ferraço é uma ideia vantajosa. Seria melhor tê-lo na prefeitura de Cachoeiro do que lidar com sua imprevisibilidade à frente da Assembleia por pelo menos dois anos. 
 
Mas há outras contrapartidas que interessam Ferraço na mesa de negociação, como a acomodação da mulher dele na Câmara. A ex-prefeita de Itapemirim, Norma Ayub (DEM), é a primeira suplente de deputada federal pela coligação de Hartung. Sem contar o desejo de Theodorico de incluir seu filho, o senador Ricardo Ferraço (PMDB), na cabeça de chave da lista da sucessão de Hartung em 2018. 
 
Caso o acordo seja bem-sucedido, os meios políticos se voltam para tentar decifrar quem poderia ser o presidente da Casa dentro deste cenário sem Ferraço e com o jogo na mão de Hartung. Neste caso, a reeleição para a presidência da Mesa Diretora se torna um precedente perigoso com o controle de Hartung sobre a Assembleia. 
 
Os nomes colocados até o momento apontam para parlamentares dóceis ao governador eleito, que retomariam a relação que existia entre Legislativo e Executivo nos governos passados do peemedebista, deixando a Assembleia Legislativa novamente submissa e dependente do chefe do Palácio Anchieta.

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