Os caminhos escolhidos pela direção do PT capixaba criam uma série de insatisfações dentro do partido há algum tempo. Mas o resultado da eleição deste ano e a atual situação do partido no Estado em meio ao segundo turno das eleições presidencial tem causado reações que estão levando as lideranças a reflexões sobre conjuntura política, tendo como base as movimentações da cúpula petista.
Nessa quinta-feira (9), o membro da direção nacional da corrente Articulação de Esquerda (AE), Emílio Font, publicou no site da corrente um artigo analisando as ações do PT no processo eleitoral deste ano e os acontecimentos que antecederam o início das eleições.
No artigo As eleições 2014 e a despetização do PT no Espírito Santo, Font destaca que a aliança do partido com o ex-governador Paulo Hartung tem feito com que o PT perca sua identidade, além de inviabilizar a existência de um projeto político-partidário unificado para o Estado. Ele critica o que chamou de “peemedebização” do PT capixaba.
“Progressivamente o PT do Espírito Santo vai correndo o risco de deixar de ser um partido com um projeto unificado e tornar-se a soma de projetos e de carreiras pessoais, similar ao PMDB nacional. Isto ajuda a entender por qual motivo o partido até consegue manter uma boa representação parlamentar (vereadores/as e deputados/as), mas corre o risco de ficar cada vez mais distante dos poderes executivos: prefeituras (haja vista as derrotas de 2012) e governo do Estado”, disse.
E a coisa pode piorar, já que o partido no Estado saiu fragilizado do processo eleitoral e tem a função de construir um espaço político para Dilma Rousseff no Espírito Santo no segundo turno. Renato Casagrande e Paulo Hartung já declararam apoio a Aécio Neves (PSDB) e o partido não tem como erguer um palanque para Dilma no Estado. Isso aliado ao desempenho histórico do PT no Estado não ajuda o partido a alavancar a disputa com o PSDB.
Dilma teve 33,12% dos votos válidos no Estado, sétimo pior desempenho da presidente no País. Foi ainda o pior desde a eleição de Lula, em 2002, quando o candidato do PT obteve no Estado 44,52% dos votos válidos no 1° turno.
A previsão de Font para o partido no Estado também não é promissora. Ele acredita que o partido deve novamente investir em acordos de gabinete para garantir a ocupação de espaços, o que prejudica a reflexão interna e a projeção de cenários futuros mais promissores.
“Mais uma vez, é bem provável veremos triunfar a política da direita e de Paulo Hartung que, coerentemente, passa pela diminuição e destruição do PT no Estado, com a contribuição de parcelas do próprio PT”, diz um trecho do artigo.

