A Assembleia Legislativa e parte da classe política parecem estar deixando passar ao largo a discussão sobre a vaga a ser aberta no Tribunal de Contas neste mês de abril, com a aposentadoria do conselheiro Marcus Madureira. A vaga é de direito da Casa, mas há interesses políticos que devem ser considerados para a ocupação da cadeira. Os deputados têm a saia justa da abordagem sobre o projeto Conselheiro Cidadão.
Em desgaste político, o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), não disse nem sim, nem não ao projeto e abriu a brecha para que o deputado Hércules Silveira (PMDB) chamasse a sociedade para debater o assunto.
O projeto prevê que todo o cidadão que atenda aos pré-requisitos para ocupar o cargo tenha direito de se candidatar, sem precisar da chancela de um deputado estadual. Neste caso, precisaria de experiência nas áreas jurídicas e contábeis de 10 anos e experiência no serviço público.
O problema é que a vaga a ser aberta no Tribunal de Contas é uma alternativa para a acomodação da base do governador Renato Casagrande. Na Assembleia quatro nomes estariam em debate: Claudio Vereza (PT), Sérgio Borges (PMDB), Atayde Armani (DEM) e Dary Pagung (PRP). Nos bastidores, os comentários são de que o governo do Estado tem preferência por Pagung, mas há outras pressões que podem mudar o cenário.
A discussão sobre a vaga no Tribunal teve repercussão no início do ano, mas no último mês o debate esfriou. Para os meios políticos, a estratégia seria a de deixar a discussão sobre a vaga cair no esquecimento da sociedade civil, para que o projeto Conselheiro Cidadão não atrapalhe os movimentos da classe política, que envolvem, inclusive, a movimentação para a disputa eleitoral de 2014.

