O ex-senador Gerson Camata é um dos membros da Executiva e do Diretório do PMDB que defendem o recuo de Paulo Hartung da candidatura ao governo do Estado na eleição deste ano. Em entrevista exclusiva à Revista Capixaba (11/06), o senador verbalizou uma insatisfação que não é só dele, mas de muitos membros históricos do partido.
Segundo Camata, para romper com o governador Renato Casagrande o partido precisaria ter um motivo e externar esse motivo, já que o partido até pouco tempo apoiava o governador. Ele acredita que o ex-governador ainda deve meditar sobre seu posicionamento na eleição deste ano. “Está nos deixando e numa situação difícil. Os deputados estaduais estavam com Casagrande até ontem, o Paulo teve metade do governo Casagrande”, afirmou.
Sobre a movimentação atribuída ao governador de tentar “comprar” os convencionais do partido, o ex-senador afirmou que isso seria muito difícil, primeiro porque nem mesmo o PMDB sabe exatamente quem são seus convencionais. Além disso, o controle dos delegados pertence à deputada federal Rose de Freitas, o que a beneficiaria na coligação que vem sendo costurada com Hartung no governo e ela no Senado.
Esse, segundo Camata, é um problema a ser discutido, já que apesar de contrários à movimentação do ex-governador de romper com o projeto da unanimidade, os convencionais são partidários. “Acho que ele devia pensar. É a doutrina dele. Ele mesmo destruir o trabalho de engenharia que ele fez”, afirmou.
Camata, assim como o senador Ricardo Ferraço, são as principais lideranças no partido contrárias ao projeto de candidatura própria. Entre os deputados estaduais, o clima também não é bom. Os parlamentares questionam a falta de diálogo sobre a composição para tentar uma acomodação dos sete membros da bancada na Assembleia. Sinais desse descontentamento foi externado publicamente esta semana durante sessão da Assembleia pelo deputado peemedebista Marcelo Santo.
A convenção do PMDB será no dia 29 de junho. Muitas dúvidas circulam nos meios políticos sobre o papel do ex-governador na disputa estadual, já que ele mantém o silêncio sobre a eleição desde a primeira quinzena de abril, quando disponibilizou o nome para a disputa ao governo do Estado.

