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Casagrande e Hartung se atacam indiretamente usando outros candidatos

O primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado, promovido pela TV Capixaba, na noite desta quinta-feira (28), foi marcado pela tentativa de ataques indiretos entre o governador Renato Casagrande (PSB) e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). O principal alvo dessa manobra foi o candidato do PT ao governo, o deputado estadual Roberto Carlos, que não aceitou o papel de ser usado para os ataques dos dois adversários.

 

O petista disse que os dois candidatos estavam jogando a “a bola quadrada” para ele no sentido de se atingirem mutuamente, mas alertou: “Esqueceram que eu também já joguei bola”. Ele destacou que Hartung e Casagrande somam 12 anos de um projeto feito a muitas mãos e que não iria servir para o jogo porque não jogaria fora o que foi feito naquele período e sim avançar.

Mas, quem atacou mesmo e os dois candidatos foi a candidata Camila Valadão (Psol), que abordou os principais problemas das gestões tanto de Hartung quanto de Casagrande. Sem fazer rodeios, Camila fez perguntas diretas aos adversários. Ela os classificou como donatários do mesmo projeto político.

Durante todo o programa, Casagrande e Hartung tentaram travar uma disputa particular com a comparação entre os oito anos de governo do peemedebista e os quatro anos do socialista. Ambos com o mesmo discurso do início da eleição. Hartung vendeu novamente a ideia de que seu sucessor não deu sequência ao que ele considera o trabalho de desenvolvimento do Estado, já o governador Renato Casagrande contra-atacou mais uma vez com a afirmação de que o governo recebido não era exatamente a maravilha vendida pelo antecessor.

Roberto Carlos foi para o debate com a defesa do governo federal e reagiu ao ser perguntado se sua candidatura era de marcar um espaço, já que ele foi “convocado” para assumir a candidatura em cima da hora. O petista lembrou de sua trajetória até o mandato de deputado estadual e das propostas que defende para a disputa ao governo.

Apesar das farpas, o debate não teve ataques pessoais, nem ofensas entre os candidatos. Mesmo com as caras fechadas de alguns candidatos, as discussões ficaram no campo das propostas para o governo e na revisão dos governos passados.

O primeiro bloco do programa contou com uma pergunta da produção e o questionamento entre os candidatos. O tema único para os candidatos foi sobre os altos índices de criminalidade que colocam o Espírito Santo entre no topo do mapa da violência no País.

O deputado Roberto Carlos foi o primeiro a responder e falou da necessidade de políticas públicas para a juventude, com destaque para a saúde, educação, esporte e cultura. Isso aliado a reequiparação da polícia civil e militar.

O governador Renato Casagrande falou do ponto crítico encontrado quando assumiu o governo, com 2.034 homicídios em 2009. Defendeu o programa Estado Presente, a contratação de seis mil novos policiais e prometeu encerrar 2018, caso eleito, com o índice de homicídios abaixo da média nacional, que é de cerca de 25 homicídios por 100 mil habitantes. Hartung afirmou que ao assumir em 2003 encontrou a Secretaria de Segurança desestruturada e o Estado afundado em dívida. Falou da necessidade da ocupação dos bairros de risco, sobretudo com investimentos na educação. Camila Valadão defendeu a discussão de políticas públicas de inclusão da juventude para evitar que o tráfico seja uma alternativa.

Na segunda parte do primeiro bloco, os candidatos puderam fazer perguntas entre si. Roberto Carlos questionou Paulo Hartung sobre o fato de não ter realizado em seus oito anos de governo a eleição direta para diretor de escola. O ex-governador destacou a necessidade de capacitar os professores, mas não prometeu a garantia da eleição direta na escolha dos diretores, cargo que é de indicação política.

Camila  Valadão utilizou as manifestações de julho para lembrar que entre os financiadores de campanha de Casagrande estão empresas ligadas à Rodosol.

Casagrande, com uma pergunta a Roberto Carlos, procurou desmontar o discurso de Hartung de que seu governo havia tirado 600 mil pessoas da pobreza no Estado. Roberto Carlos afirmou que as políticas de ascensão social devem ser atribuídas ao governo federal e os programas sociais implantados no governo Lula e Dilma, mas não entrou no jogo de Casagrande, que tentou encaixar no bojo os programas sociais do governo do Estado na réplica. Casagrande alfinetou o antecessor dizendo que o governo anterior não tinha programa social.

Hartung perguntou a Camila sobre produção agrícola e tentou emplacar o discurso de que o governo investiu no desenvolvimento  no campo, mas a candidata do Psol também não caiu na rede e destacou que o projeto dos últimos 12 anos privilegia o agronegócio, que não gera emprego e favorece o êxodo da população do campo para a Grande Vitória.

 

O momento mais tenso do debate aconteceu no segundo bloco, quando Camila Valadão questionou Hartung sobre a política de Direitos Humanos, que destacou como “desastre” em seus dois mandatos. Hartung disse que respeitava a opinião da candidata, mas que não concordava. Mas ele não conseguiu esconder a irritação quando Camila lembrou das “masmorras”, se referindo às denúncias de torturas, mortes e mutilações nos presídios capixabas, que levaram o Brasil a ser denunciado na ONU por violações dos direitos humanos. O ex-governador usou exemplos de problemas em outros estados em presídios, mas a resposta ficou confusa. Não convenceu.

Outro tema de tensão no debate foi a saúde, em que Casagrande e Hartung trocaram acusações sobre as obras dos Hospitais da Grande Vitória. Hartung criticou Casagrande por atrasar as obras do Hospital Dório Silva e não entregar o São Lucas, acusando o sucessor de ter problemas na gestão.

Casagrande rebateu afirmando que a obra do São Lucas apresentava problemas no projeto e a gestão do Hospital Central, inaugurado no governo Paulo Hartung, é alvo de investigação do Ministério Público.

Os candidatos foram questionados sobre seus “pontos fracos” no terceiro bloco. Roberto Carlos sobre a fragilidade de sua candidatura. Ele respondeu que sua candidatura é propositiva e com o apoio da militância do PT.

Casagrande foi questionado sobre as críticas a Hartung às vésperas da eleição e disse que só reagiu a ataques. Camila Valadão foi questionada sobre abusos nas manifestações e defendeu que o movimento reagiu por causa da repressão policial e falta de diálogo com o governo. Hartung, ao ser questionado se admitia o erro político ao escolher o sucessor, já que disputa a eleição com ele, respondeu que a avaliação, naquele momento, foi parcial.

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