Pela manhã, o atual governador tentou justificar as poucas realizações de seu primeiro ano de gestão como fruto da “irresponsabilidade fiscal” do antecessor. Mais tarde, o sucessor afirmou que o discurso do peemedebista serve para sustentar a farsa de um Estado desorganizado. “Se vocês [jornalistas] já estão cansados, imagina eu, imagina a população capixaba”, afirmou o socialista, que voltou a recorrer aos números para rechaçar a tese do sucessor.
“Estou sendo reativo, não estou atacando, só estou fazendo uma defesa do [meu] governo porque disse que não deixaria ninguém montar uma farsa para diminuir aquilo que fiz. Não me reelegi, mas sai aprovado pela maioria da população capixaba. Errei na condução política, mas sai com resultados que dificilmente outro governante fará em termos de investimentos”, afirmou o ex-governador, que minimizou a política de “ajuste fiscal” tão propagada pelo sucessor.
“O único ajuste feito foi o corte de investimentos – que caíram 72% na comparação com o ano anterior, enquanto as despesas com pessoal e custeio tiveram alta no período”, apontou. Para o ex-governador, o primeiro ano da atual gestão é baseado em avanços de sua gestão, como no caso da segurança pública, além de obras da alçada do governo Federal. “A ocupação social não existe, se tiver algo sendo feito em algum bairro, venham aqui que eu peço perdão. A Escola Viva não enfrenta o problema da educação, isso é um produto de marketing. A população está farta desse discurso”, atacou.

“Essa mentira [sobre a desorganização] é produto de uma política menor, de uma tentativa de diminuir o trabalho que fiz no governo. O resultado é prejuízo para população. Porque nos ficamos um ano com obras paralisadas, sem programas sociais em andamento. Foi um ano em que obras que estão sendo reiniciadas já deveriam estar sendo inauguradas. Esse tipo de comportamento não colabora. É um exemplo ruim o governante que mente, que tenta montar uma farsa para destruir um adversário”, resumiu Casagrande.
O socialista citou que também encontrou dificuldades nos quatro anos de gestão, como o fim do Fundap, mas que deixou o Espírito Santo preparado para enfrentar o atual período de instabilidade. “Nenhum outro estado está tão bem preparado dessa forma”, disse, mencionando os números de disponibilidade em caixa. “Até o final desse ano, serão quase três bilhões de reais em caixa, comprovando que nada deveria ser paralisado”, garantiu com base nos dados divulgados pela própria equipe econômica do governo.
“Eu perdi a eleição, ele ganhou, mas parece que ele perdeu. O atual governador não troca de conversa há um ano e meio. Para a população é um desastre porque na hora quando elege um governador é para trabalhar. Não é para ficar preso a uma picuinha política”, observou.
O ex-governador rechaçou ainda as investidas do sucessor, que atribuiu aos “quatro anos anteriores à sua gestão” como um período de “irresponsabilidade fiscal”. Para isso, ele apresentou uma certidão assinada pela atual secretária da Fazenda, Ana Paula Vescovi, em que declara o cumprimento de todas as exigências previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Segundo Casagrande, o documento de 11 de maio deste ano foi apresentado pelo Estado para obtenção de financiamentos e repasses públicos por instituições financeiras. “É a declaração da situação em que eles assumiram o governo”, pontuou.
Para o próximo ano, Casagrande pretende mudar de postura, garantindo um enfrentamento mais direto com Hartung. “Esse ano de 2016 é eleitoral. Vai ter disputa e vou participar de algumas campanhas, defendendo uma nova política”. No entanto, fica evidente que pesa ainda a necessidade de um real acerto as contas do socialista com Hartung, no qual foi aliado e praticamente um sócio na condução do governo por mais de três anos: “Terei que ser sempre um defensor desse legado, não posso deixar que tentem destruir o que fiz”.

