A possibilidade de o cenário eleitoral do Estado ficar polarizado entre o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) leva o mercado político a observar a movimentação de uma terceira força política do Estado: o senador Magno Malta (PR). O posicionamento do republicano pode desequilibrar o acirrado jogo pelo Palácio Anchieta para um dos lados ou apresentar um novo caminho para a disputa.
Malta deixou o jogo estadual em fevereiro passado, quando entregou uma carta pedindo apoio para sua candidatura a presidente. Até o momento, segue tentando convencer a Executiva do partido a apoiá-lo, mas não conseguiu êxito.
Nos meios políticos, as leituras são muitas sobre o peso do senador no processo deste ano. Mesmo com seu afastamento do processo estadual, há quem acredite que a participação de Malta na disputa ao governo do Estado ainda é possível, dada a capacidade de votos do senador. O mercado político acredita que o senador teria uma densidade em torno de 15% dos votos no Estado, o que levaria a disputa para um segundo turno.
Como age fora do grupo que governa o Estado há 12 anos, Malta representaria na eleição uma quebra da unanimidade. Independentemente da disputa de poder entre Casagrande e Hartung, ambos têm a mesma origem política e seus movimentos políticos se mantêm dentro do mesmo grupo. Já Malta, ao mesmo tempo em que representa uma quebra desse sistema comandado pela elite econômica, traz um discurso altamente conservador.
Mas muita gente acredita que Malta não retorna mais ao cenário estadual capitaneando um palanque. O caminho que ele seguirá, neste caso, pode influenciar na disputa polarizada. Como o senador é desafeto do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), dificilmente caminhará com o peemedebista na disputa deste ano.
Isso aproxima o republicano do palanque do governador Renato Casagrande e, neste caso, serão necessárias acomodações. Casagrande conversa com o PSDB, que estaria exigindo a vaga ao Senado. O PR precisa de fortalecimento para a candidatura de Fabiano Contarato, que pode oferecer resultados.
Já em relação à disputa nacional, os meios políticos já não acreditam que o senador possa apoiar um palanque em que o PT esteja. Malta, quando articulava sua entrada na disputa estadual, ofereceu seu palanque para garantir o espaço de Dilma no Estado. Hoje, mesmo que Hartung não concretize o apoio à presidente, ele não deve se unir aos petistas no Estado.

