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Com portas fechadas, Rose não terá vida fácil no Senado

A campanha ao Senado no Espírito Santo foi uma das mais confusas e disputadas das últimas eleições no Espírito Santo. No palanque de Renato Casagrande (PSB), a candidatura teve de ser alterada com a desistência do delegado Fabiano Contarato, que foi substituído às pressas pelo ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga (PV). João Coser foi o candidato do PT e Rose de Freitas a representante do palanque do PMDB. Isso oficialmente, porque nos bastidores o comentário era de candidatura clandestina, com o governador eleito Paulo Hartung pedindo votos para o petista e isolando a candidata de seu palanque. 
 
Como se especializou em fazer nos últimos anos no Espírito Santo, Rose de Freitas venceu a animosidade com Paulo Hartung e se elegeu com a ajuda de lideranças municipais, sobretudo do interior que lhe garantiram os votos necessários. Ele também buscou apoio do mandachuva do PMDB, o vice-presidente da República Michel Temer também foi solidário à candidatura de Rose. A preocupação entre essas lideranças do interior, que se transformaram em cabos eleitorais de Rose, era de que sem a peemedebista em Brasília seria difícil conseguir a liberação das verbas necessárias para os municípios. 
 
Mas a situação da parlamentar será outra, já que a dinâmica do Senado é diferente daquela da Câmara dos Deputados, a qual a deputada está acostumada, depois de seis mandatos. Rose de Freitas já estaria buscando agenda com o governo federal, mas há quem diga que a partir de agora sua movimentação será mais difícil, principalmente no que diz respeito à movimentação política. 
 
Rose de Freitas era ligada ao deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), que foi vital para a chegada dela à vice-presidência da Câmara, mas quando Rose disputou a presidência contra o Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se afastou de Cunha e acabou criando animosidades dentro do PMDB nacional. Localmente, Rose de Freitas não tem uma postura de ingerência no modelo partidário do PMDB, o que facilita o controle do partido no Estado pelo grupo de Paulo Hartung. 
 
A crise entre o governo federal e parte do PMDB pode respingar na relação com a parlamentar e os caminhos que Rose sempre conheceu bem para chegar aos recursos para suas bases pode levar a portas fechadas desta vez.
 
De outro lado, o comportamento governista da peemedebista no Senado, neste momento em que Dilma está buscando união, pode ajudá-la. A ligação política de Rose com o vice-presidente Michel Temer também é estratégica para a senadora eleita abrir uma canal de diálogo com o governo federal. Mas para que isso tudo dê certo, Rose depende que o governador eleito Paulo Hartung também trabalhe para construir uma boa relação com o Planalto. E essa pode ser uma missão difícil depois das críticas que o governador eleito fez a Dilma quando estava no palanque do tucano Aécio Neves.

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