O projeto de reeleição do vereador Fabrício Gandini (PPS) passa necessariamente pela publicidade dos atos e projetos de sua passagem pela presidência da Câmara de Vitória (2013-2014). Contratos de serviços gráficos, desenvolvimento de mídia digital e de organização de eventos da Câmara firmados no período de sua gestão custaram pelo menos R$ 1 milhão aos cofres da Câmara. Os serviços foram dirigidos menos aos cidadãos e mais para a promoção das iniciativas do então presidente, como o Fiscaliza Vitória.
O principal aliado do prefeito Luciano Rezende (PPS) no Legislativo municipal ergueu alto a bandeira do discurso bom-moço do combate a irregularidades. Com o Fiscaliza Vitória, reforçou em nível legislativo a proposta de “gestão compartilhada” tão propalada por Luciano nos primeiros dois anos de mandato.
A ferramenta, lançada em 2013, é acionada por site próprio ou telefone pelos moradores para fiscalização de equipamentos públicos municipais. Unir cidadãos e vereadores em benefício de uma cidade melhor seria sofisticar o papel constitucional do Legislativo de fiscalizar o Executivo.
Mas uma análise dos contratos apaga a linha que separa autopromoção e nobreza de ideias.
O contrato de R$ 19.975,35 mil com a Gráfica e Editora Quatro Irmãos, firmado em junho de 2013 para duração até dezembro do mesmo ano, para aquisição de materiais gráficos, revela um tratamento especial para o Fiscaliza Vitória. A confecção de folderes e convites em papel couché fosco para a divulgação do projeto é o item mais caro e mais numeroso entre os 20 registrados pelo termo de referência do contrato para fornecimento pela empresa.
O termo projetou a confecção de nada menos que 100 mil folderes e 30 mil convites, ao custo total de R$ 5.9 mil – R$ 5 mil para o primeiro e R$ 900 para o segundo. É uma quantidade superior mesmo à de cartões de visitas para vereadores e funcionários da Câmara, fixado em R$ 28.350 mil.
O segundo item mais caro é a confecção de pasta para protocolo legislativo, fixada em 2 mil unidades ao custo global de R$ 1.840 mil.
Outro contrato de 2013 com a mesma empresa, ao custo global de R$ R$ 57.400 mil para dois lotes, registra a confecção de outro produto que vem sendo peculiarmente conveniente ao vereador: a Revista Câmara. Gandini está carregando a revista de produção gráfica cuidadosa de registro de suas ações como presidente da Câmara debaixo do braço e operando uma distribuição sem parcimônia em eventos de que participa. O contrato fixou tiragem de 40 mil edições para as duas primeiras edições da publicação.
Os contratos mais vultuosos foram feitos com as empresas Infinity Negócios e Serviços, para organização de eventos, E-Brand Estratégias On Line, para desenvolvimento de mídia digital, e Sollo Serviços de Call Center, para atendimento informatizado. Os três custaram pouco mais de R$ 1 milhão.
Ao valor de R$ 167.800 mil, o contrato com Infinity Negócios e Serviços valeu de julho a dezembro de 2013 para a organização do Dia do Cidadão Vitoriense, Dia da Família e lançamento do Fiscaliza Vitória. O termo de referência registra serviços de decoração, Buffet, iluminação, entre outros itens.
A proposta comercial da empresa ofereceu a organização do Dia do Cidadão Vitoriense por R$ 71.375 mil, do Dia da Família por R$ 63.625 e do lançamento do Fiscaliza Vitória por R$ 32.810 mil. O evento do Fiscaliza Vitória foi mais módico que os demais: previu apenas coffee break, enquanto os outros dois previram serviço de buffet.
A E-Brand Estratégias On-Line, que fez os vídeos e peças promocionais, foi contratada por R$ 210 mil. O contrato vigorou de setembro de 2013 a maio de 2014.
O contrato mais oneroso foi com Sollo Serviços de Call Center, feito em 2013. Com valor inicial definido em R$ 223.728 mil por ano, o contrato recebeu dois aditivos, um de R$ 153.600 mil e outro de R$ 161.111 mil. O contrato de call center foi feito segundo uma previsão de alta demanda pelo serviço do Fiscaliza Vitória. Mas o primeiro ano de funcionamento registrou apenas 966 acionamentos.
O contrato foi rescindido unilateralmente pela Câmara em junho de 2015 por “estrito interesse público”. Não à toa, após a saída de Gandini da presidência. O Fiscaliza Vitória já não é tão ostensivo.

