O presidente regional do PT e candidato ao Senado, João Coser, está articulando com a nacional do partido para levar o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) para o palanque de Dilma no segundo turno das eleições.
Coser já teria avançado nas conversas com o presidente nacional do PT, Rui Falcão. O ex-prefeito defende a tese de que a candidatura de Roberto Carlos ao governo não decolou, e Dilma ficaria sem palanque no Estado num provável segundo turno contra Marina Silva (PSB).
A aliança PT-PMDB só se consolidaria no segundo turno, mas Coser e Hartung já vêm se movimentando em conjunto desde o começo das eleições. Se os acordos políticos apartaram o PT do PMDB, não afetaram a proximidade entre Coser e o ex-governador.
Não era segredo para ninguém que Hartung mantinha apoio clandestino à candidatura de Coser e vice-versa. O ex-governador também já não fazia questão de disfarçar o distanciamento da candidatura do presidenciável do PSDB, Aécio Neves, que literalmente sumiu da campanha de Hartung.
Paulo Hartung, desde que Marina entrou no páreo e desbancou o candidato tucano, vinha evitando colar a imagem dele à de Aécio. Mais um sinal de que o ex-governador não queria deixar para última hora seu desembarque do palanque tucano, já pensando em se aproximar de Dilma.
Hartung recorreu a Coser para abrir as portas do PT nacional. Como Dilma não pode se dar ao luxo de desprezar um voto sequer, na expectativa de uma disputa acirrada com Marina, o pequeno colégio eleitoral do Espírito Santo se torna grande nestas eleições.
O momento não poderia ser mais oportuno para Coser apresentar a proposta a Falcão: juntou a fome com a vontade de comer. Falta, porém, convencer a militância petista a apoiar o palanque Dilma-Hartung num provável segundo turno.
Interessado em pôr a proposta de Coser e Hartung em prática, o PT nacional incumbiu uma delegação de emissários para consultar a militância capixaba.
A informação é de que a primeira reação à proposta foi negativa. Os militantes julgaram que o acordo favorece exclusivamente Hartung. Eles devolveram a proposta pedindo mais apoio à candidatura de Roberto Carlos e, de quebra, mandaram um recado para a nacional: caso Hartung e Casagrande se enfrentem no segundo turno, a militância apoiaria o candidato do PSB.
Primeiro turno
Oficialmente, o PT pode assumir o palanque Dilma-Hartung no segundo turno, mas clandestinamente Hartung e Coser estão juntos desde o primeiro dia de campanha.
Hartung sempre contou com Coser para conquistar os votos fidelizados da militância do PT, o ex-prefeito, por sua vez, ganhou a preferência de ser o candidato de Hartung ao Senado. O ex-governador nunca engoliu a candidatura de Rose de Freitas. Não é novidade que a candidata do PMDB até agora fez campanha solo, sem poder contar com o palanque do ex-governador.
De olho no lote de votos do PT, e percebendo que esses votos ainda não foram para Roberto Carlos — que continua estacionado nas pesquisas com menos de 3% de intenção de votos —, Hartung trabalha agora para desidratar de vez a candidatura do petista.
Ele quer evitar, com a ajuda de Coser, que o histórico de 15 ou 16% de votos da militância migrem para Roberto Carlos nesta reta final e levem a disputa para o segundo turno.
Desidratando a frágil candidatura de Roberto Carlos, já na iminência de um acordo com a nacional do PT para o segundo turno, Hartung apostaria todas suas fichas para liquidar a fatura no dia 5 de outubro. Se vencer no primeiro turno, pode assistir a disputa para presidente de cima do muro e só descer na hora que lhe for mais conveniente.

