Para os meios políticos uma das derrotas mais simbólicas destas eleições aconteceu na disputa ao Senado. O ex-prefeito de Vitória, João Coser que iniciou o processo à frente da corrida eleitoral, terminou em terceiro, atrás de Neucimar Fraga (PV), segundo colocado, e bem distante de Rose de Freitas (PMDB), a senadora eleita.
Ainda tentando vencer a ressaca das eleições, o petista está disposto a traçar uma estratégia de marketing político para uma campanha de reabilitação da imagem do partido no Espírito Santo.
Para isso, Coser, que preside a sigla no Estado, terá de recompor com as diferentes correntes internas do partido. O ex-prefeito se incompatibilizou com boa parte dos petistas, já que a movimentação, apontada nos meios políticos, como uma aliança clandestina com o palanque de Paulo Hartung, não teve o aval da militância.
Outro desgaste para Coser foi a não eleição de dois deputados estaduais apoiados por ele: Genivaldo Lievore e Alexandre Passos. O último, aliás, mesmo com o peso de ter comandado a Secretaria de Turismo nos últimos anos, obteve 7.123 votos, ficando na octogésima posição na votação, um índice abaixo de outras tentativas dele ao Legislativo Estadual.
A bancada federal aumentou, mas há uma dinâmica diferente. Helder Salomão tinha seu próprio capital e Givaldo construiu sua candidatura na eleição de 2012, quando circulou pelo Estado como vice-governador e ampliou sua base nos municípios.
A eleição ao governo do Estado também é um ponto a ser debatido internamente. Roberto Carlos teve o pior desempenho do partido no País para um candidato a governador pelo PT. Mas esse desgaste não é apenas do candidato. As movimentações de Coser não fortaleceram o palanque petista no Estado, nem na disputa ao governo, nem na disputa presidencial.
A reabilitação e reaproximação com as correntes é fundamental para Coser devido à mudança de correlação de forças com a eleição do ex-prefeito de CariacicaHelder Salomão, o quinto mais bem votado à Câmara, que tem tudo para ganhar peso político no partido.
Ao PT, em linhas gerais, caberá reavaliar seu posicionamento político. O partido se afastou dos movimentos da soceidade civil que serviram de berço para sua origem e precisa agora recuperar sua imagem voltada para o social.
Já o presidente do partido fica com seu futuro político comprometido. Desgastado pelo processo eleitoral, Coser não se credencia para a eleição municipal daqui a dois anos em Vitória. Ele vai depender da acomodação que Hartung deve fazer em relação aos seus aliados na campanha.

