O deputado eleito Amaro Neto (PPS), o mais bem votado dessas eleições, antes mesmo da posse já criou uma “saia justa” com os colegas de plenário, o que pode causar um mal-estar em sua chegada ao Legislativo em fevereiro do próximo ano.
Na edição desse sábado (18), do jornal A Gazeta, o deputado eleito classificou a obstrução das sessões como “palhaçada”. Na sessão desta segunda-feira (20), vários deputados foram aos microfones para reagir à declaração. Quem puxou o assunto foi o deputado Gilsinho Lopes (PR), que destacou a falta de “compostura” do futuro colega e disse que na tribuna da casa, Amaro Neto não terá coragem de repetir a afirmação.
Amaro Neto comentou a obstrução da votação de urgências na Casa com um tom de indignação bem próximo ao que empregava em seu programa policialesco na TV. O crítica foi vista como falta de respeito pelos deputados. “Está um final de feira na Assembleia, com deputados trancando a pauta por causa do novo governador. Acho essa atitude uma palhaçada. E quem votou neles em 2010? Até 31 de dezembro, eles têm que trabalhar pelo povo capixaba”, disse Amaro ao jornal.
A deputada Luzia Toledo (PMDB) fez coro à reação de Gilsinho Lopes (PMDB) e lembrou que o então senador Dirceu Cardoso obstruiu sessões do Senado por nove meses e paralisou um projeto que permitia a construção de um túnel entre os gabinetes e o plenário.
Euclério Sampaio (PDT) e José Esmeraldo (PMDB) foram mais duros com o futuro colega. O pedetista afirmou que na Assembleia o novo deputado não terá patrocínio de emissora. José Esmeraldo afirmou que o parlamentar eleito afirmou é “desequilibrado mental”. Ele acrescentou ainda que o deputado eleito chega à Casa com votação “duvidosa”.
O colega de partido, deputado Sandro Locutor, tentou amenizar a situação, dizendo que a declaração de Amaro Neto foi feita por falta de conhecimento do Regimento Interno e que ele ainda não tem interação com a Casa. Locutor destacou que o colega não teve a intenção de ofender os deputados.
Sandro Locutor ponderou, porém, que as interrupções das votações estão causando essas interpretações para quem está fora da Casa.
O deputado Hércules Silveira (PMDB) também saiu em defesa de Amaro, tentando amenizar o episódio. Ele lembrou que o próprio deputado Roberto Carlos (PT) também fez críticas fortes à Assembleia antes da posse, mas que depois, ao conhecer melhor a Casa, passou a ter uma boa relação com os parlamentares.

