O presidente do PSDB capixaba, deputado federal César Colnago, e o vice-presidente do partido no Estado, o até aqui pré-candidato ao governo, Guerino Balestrassi, ao lado do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, estão em Brasília nesta terça-feira (6) para um encontro com o presidente nacional do partido, o presidenciável Aécio Neves.
Mas se o objetivo é reverter a articulação fechada entre Neves e o também presidenciável Eduardo Campos (PSB), que coloca os tucanos no Estado no palanque de Renato Casagrande, as informações dos interlocutores do presidenciável é de que a chance é zero.
A ideia do encontro é buscar uma forma de acomodar as candidaturas proporcionais do ninho tucano à Câmara dos Deputados no palanque do governador Renato Casagrande. Essa seria uma das grandes preocupações dos tucanos capixabas, já que o partido hoje tem um deputado federal, o próprio César Colnago, e precisa melhorar seu desempenho na eleição deste ano.
Essa questão também foi discutida na aliança informal fechada pelos presidenciáveis e não será difícil encontrar uma acomodação no palanque de Casagrande para os candidatos tucanos. Já se fala em uma aliança com o próprio PSB, que tem como puxadores de votos o deputado estadual Vandinho Leite e o deputado federal Paulo Foletto, que fortaleceriam a candidatura de Colnago e do ex-prefeito de Vila Velha Max Filho à Câmara dos Deputados.
Outra aresta aparada entre os presidenciáveis foi a veiculação do programa eleitoral do PSDB no início de abril, com um ataque direto à gestão do governador socialista. O programa teria sido veiculado sem a aprovação da Executiva e, nos bastidores, se comentava ter sido idealizado por Colnago, o presidente do DEM, o prefeito de Vila Velha Rodney Miranda, e o ex-governador Paulo Hartung, quando o grupo tucano que defende a aproximação com Hartung se movimentava para desidratar Casagrande.
O programa causou problemas em vários setores do partido no Estado, mas teria sido o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo quem conduziu as movimentações para evitar que o episódio causasse confronto interno. Por isso, o encontro em Brasília é considerado uma reunião de concórdia. O objetivo é superar o desempenho baixo do partido na eleição, que poderia se repetir nesta disputa, caso se lançasse como palanque auxiliar de Hartung, para ser colocado como solução eleitoral com Renato Casagrande ao governo e Luiz Paulo candidato ao Senado.
O impacto desse acordo entre os presidenciáveis, aliado à reação do governador Renato Casagrande, afastando-se do discurso da unidade e sinalizando pela definição em favor da candidatura de Eduardo Campos, foi vista nos meios políticos como um golpe mortal nas movimentações do PT capixaba.
Com o risco colocado na reeleição da presidente Dilma Rousseff, o partido desconfia cada vez mais da disposição de Paulo Hartung em se colocar como puxador de votos da presidente. Nesse sentido, o PT já admite a possibilidade de lançar uma candidatura própria ao governo para garantir o espaço eleitoral da presidente no Estado, o que dificultará bastante as pretensões locais do partido.
Conforme for o resultado da eleição, o partido terá problemas também na ocupação de espaços na próxima gestão. O PT teve uma postura de ocupação de cargos no governo Paulo Hartung, dentro de uma movimentação que tirou os movimentos sociais ligados ao partido da rua.
Com a chegada de João Coser à Prefeitura de Vitória, o partido aparelhou a estrutura, sobretudo, com integrantes da Democracia Socialista (DS). Estrutura esta que seguiu para o governo de Renato Casagrande. Mas se o governador se reeleger, a possibilidade de o partido permanecer no próximo governo é nula.

