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Decisão do PT acomoda Coser mas irrita correntes contrárias à aliança com Hartung

 
Pela forma como a senadora Ana Rita deixou a reunião da Executiva do PT, na noite dessa quinta-feira (4), deu para entender que a decisão da cúpula do partido está longe de ser uma unanimidade. Com maioria no grupo, o presidente da sigla, João Coser, conseguiu garantir a entrada no governo Paulo Hartung (PMDB) com um cargo na Secretaria de Habitação e Saneamento (Seturb), que deve ser ocupada pelo próprio Coser. 
 
Com o acordo, o presidente do partido parece estar cimentando sua caminhada em busca do retorno à Prefeitura de Vitória, na eleição de 2016. Com o cargo no governo, Coser vai tentar criar musculatura para a disputa na Capital com o apoio palaciano. Um acordo que teria sido costurado há cerca de um mês em uma reunião entre Coser e Hartung na casa do ex-prefeito. 
 
A definição pela entrada no governo parece ter sido alinhavada ainda antes do processo eleitoral, mas não se tratava de um acordo entre PMDB e PT, e sim entre os integrantes do grupo de Hartung, que inclui Coser. Outro nome que entra na negociação é o do ex-prefeito de Cariacica Helder Salomão (PT), que fica na bancada, mas deve ter o apoio palaciano para a disputa em 2016 pela prefeitura de Cariacica.
 
Embora o acordo já tivesse sido costurado, a movimentação para o convencimento do partido todo começou depois da eleição. Havia a necessidade de contornar a insatisfação interna com o fato de Hartung ter sido um dos mais contumazes críticos do governo Dilma Rousseff entre os governadores. 
 
Além de ter disputado a eleição no palanque de Aécio Neves (PSDB) e aderido ao discurso de ataque ao PT nacional, o governador eleito, que em 2010 já havia dito que Dilma precisaria “calçar as sandálias da humildade” por ter perdido a eleição no Espírito Santo, voltou a criticar a presidente, mesmo depois da eleição. 
 
Essa postura entra em rota de colisão com a justificativa de Coser de que o convite oficial para que o partido participasse da gestão de Hartung antes mesmo do segundo turno, já que o governador eleito manteve a linha dura contra a candidatura de Dilma. 
 
As conversas depois da eleição não davam sinais de que o acordo havia sido fechado e no encontro do diretório ampliado, no dia 15 de novembro passado, o assunto não foi debatido. Com a presença da base, Coser não quis entrar no tema, até porque naquele encontro o sentimento da maioria era pela não entrada no governo. 
 
A partir daí, as correntes passaram a deliberar separadamente se aceitariam ou não a participação no governo. A maioria delas, aglutinadas ao grupo de Coser, definiram pela entrada no partido. A Articulação de  Esquerda que tem mais mandatários até o fim desta legislatura, com a senadora Ana Rita , a deputada federal Iriny Lopes e o deputado estadual Claudio Vereza, eram irredutíveis na ideia de que o partido não deveria entrar no governo. 
 
No encontro da Executiva, porém, a definição com a maioria em favor de Coser prevaleceu. Foram 12 votos a favor e quatro contra – Ana Rita, Claudio Vereza, Perly Cipriano e Fabiana Cassundé – e uma abstenção. A CEE também resolveu criar uma comissão para discutir com o governador Paulo Hartung a participação do PT no governo.

 

A comissão é formada pelo presidente do PT-ES, João Coser; vice-governador e deputado federal eleito, Givaldo Vieira; deputada estadual Lúcia Dornellas; prefeito de Cachoeiro Carlos Casteglione e pelo vice-presidente do PT-ES e deputado estadual eleito, José Carlos Nunes.

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