As lideranças políticas do Estado estão curiosas sobre o desempenho do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) como cabo eleitoral do presidenciável tucano Aécio Neves no Estado. Como Hartung sempre se manteve neutro nas disputas nacionais, alguns aliados do palanque tucano ainda veem com desconfiança o empenho do ex-governador na campanha presidencial do partido.
Essa desconfiança aumentou após o discurso de Hartung na convenção do PMDB, no último dia 29, quando apenas citou o presidenciável. Não houve um empenho na defesa da candidatura tucana, como o nome apoiado por ele na disputa.
Para atrair o PSDB para seu palanque, compondo a chapa majoritária, que tem o deputado federal e presidente do partido no Estado, César Colnago na vice, Hartung fechou acordo com o próprio Aécio Neves, em uma reunião dias antes da convenção do PMDB, na residência do tucano, no Rio de Janeiro.
No encontro, Hartung se comprometeu a ser o candidato do partido no Estado, ajudando a alavancar a candidatura presidencial no Espírito Santo. Mesmo com um eleitorado tímido, o Estado é considerado estratégico para os candidatos à Presidência, já que a disputa promete ser acirrada.
Na primeira visita de Aécio ao Estado como candidato, nesta quinta-feira (10), Hartung estará presente em um evento público ao lado do tucano. Pode ser que faça a caminhada ao lado do presidenciável na Praia do Suá, em Vitória. Neste caso, vai convencer a militância tucana de que realmente tem intenção de defender a candidatura do partido à Presidência.
Nos seus dois mandatos à frente do governo do Estado, Hartung nunca se dedicou às campanhas do PT, partido que compunha sua base, sendo um dos principais aliados. Nem nas campanhas do ex-presidente Lula, nem na eleição de Dilma Rousseff, Hartung se colocou como cabo eleitoral, preferindo a neutralidade. A explicação estava no risco em apoiar o projeto do PT, já que o partido sempre perdeu as eleições presidenciais no Estado. Mais uma vez, embora Dilma Rousseff lidere as pesquisas, no Estado sua campanha é fragilizada e há forte tendência favorável a Aécio. Daí a negativa de Hartung em aceitar uma composição com o PT local, por não querer a candidatura de Dilma em seu palanque.

