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Dilma é reeleita presidente

Na eleição mais disputada da história do Brasil após a redemocratização, a vitória apertada de Dilma Rousseff (PT) sobre o tucano Aécio Neves deixa o país dividido. O resultado das urnas, no primeiro momento, é desfavorável ao governador eleito Paulo Hartung (PMDB) por dois motivos. Primeiro pelo fato de o PT ter mantido a tradição de perder no Estado, como aconteceu em 2002 e 2006, com Lula, em 2010 e agora em 2014, com Dilma; em segundo lugar, porque Hartung fez opção pelo palanque tucano.

Mas o cenário da disputa que se encerrou neste domingo (26), em uma disputa decidida por pouco mais de três milhões de votos, lança um desafio à presidente eleita. Dilma precisa agora conquistar a metade do eleitorado brasileiro que não votou nela. Neste contexto que se abre após uma disputa sangrenta, Dilma, pelo menos neste início de governo, deve evitar perseguições políticas aos governadores que estiveram no palanque tucano. Esse clima união deu o tom do primeiro discurso da presidente eleita logo após o Tribunal Superior Eleitoral anunciar oficialmente a vitória da petista. No discurso, Dilma e Lula, simbolicamente, trocaram o tradicional vermelho do PT pelo branco em sinal de paz. 

Nesse sentido, a presidente deve estender o discurso da paz e união para todos os futuros governadores, incluído o do Espírito Santo. A presidente sabe que precisará contar com a articulação dos governadores neste momento de reconciliação.

O problema de relacionamento entre Espírito Santo e governo central pode ser atrapalhada, sim, mas não pela questão com o governador eleito e sim pela conjuntura nacional. Dilma perdeu a eleição em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país e um dos colégios que mais interessam ao PT. Dilma também perdeu na Região Sul, onde pode também deve tentar recuperar sua popularidade.

O Espírito Santo fica na região que concentra o maior número de votos do País, mas o Estado tem um eleitorado pequeno se comprado com os vizinhos. Neste sentido, a agenda desses colégios mais importantes podem ter prioridade à do Espírito Santo, já que o Estado não se encaixa em bloco com os demais estados.

Para os meios políticos, a posição de Hartung na disputa foi arriscada. Isso porque o peemedebista geralmente não expõe suas preferências presidenciais ou faz campanha para algum candidato, ainda mais em disputas indefinidas. Nesta eleição, porém, o governador eleito defendeu a candidatura de Aécio, alguns momentos mais outros menos, de acordo com o desempenho do tucano nas pesquisas eleitorais.

Em 2010, Hartung apesar de ter declarado apoio a Dilma na eleição, não fez qualquer atividade de campanha em favor da presidente. Após a eleição, quando Dilma perdeu no Espírito Santo, o governador que deixava o cargo, chegou a dizer na imprensa local que Dilma precisaria calçar as sandálias da humildade e que o Espírito Santo havia lhe dado um recado através das urnas.

O peemedebista adotou desde o início do processo eleitoral um discurso de que o Estado sofre com discriminação do governo federal e que o Espírito Santo daria ao País muito mais do que recebe em contrapartida. A partir da reeleição de Dilma, caberá ao governador eleito buscar uma aproximação com o governo federal para apresentar a agenda do Estado. Num primeiro momento, a vitória de Dilma nem melhora nem piora a relação do Estado com o governo federal.

Nota de Casagrande

Em nota o governador Renato Casagrande se pronunciou sobre a vitória da presidente Dilma Rousseff no segundo turno das eleições. Na nota, que fala de união, Casagrande parabenizou Dilma pela vitória e cobrou mais atenção ao Espírito Santo na relação com o governo federal.

“Encerrado o segundo turno da eleição presidencial, com a reeleição da presidente Dilma Rousseff, é hora de deixar no passado as marcas da disputa e seguir em frente. É hora de unir as melhores forças e as melhores intenções, em nome do futuro do Brasil. 

 

Parabenizo a presidente Dilma pela vitória. E espero que, no exercício desse segundo mandato, ela saiba unir o país em torno de novas propostas e novas práticas, mais adequadas às necessidades do nosso tempo e às demandas do nosso povo. 

Assim como espero que se empenhe, nos próximos quatro anos, em reescrever a longa história de discriminação e desequilíbrio que marca a relação entre o Governo Federal e o Espírito Santo”.

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