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Em encontro, Hartung pede votos e evita falar em vitória

“Cuidado com a avalanche”, alertou a moça que distribuía adesivos de Paulo Hartung a alguém que era engolido pelo fluxo frenético que se formou à entrada da área verde do Álvares Cabral com a chegada do candidato. Desde as 18h30 dessa quinta-feira (11) o clube ardia em festa. A Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes estava tomada por gente sacudindo bandeiras; sobre a calçada, uma peruinha executava o grudento jingle à exaustão (Abraça o Paulo…); para o desembarque da bateria da escola de samba Independentes de Boa Vista, de Cariacica, um ônibus parou à margem da avenida, provocou retenção no trânsito e atiçou a impaciência e a buzina dos carros que nada tinham a ver com aquilo. 
 

Às 19h30, o candidato peemedebista despontou na penumbra do estacionamento da Sede Social do Álvares Cabral. Um enxame de gente se formou à sua volta: seguranças, militantes com bandeiras, e, sobretudo, já que no meio também estava a equipe de comunicação da campanha, candidatos atrás de uma casquinha do ex-governador, entre eles o vice-prefeito de Vila e candidato a deputado estadual Velha Rafael Favatto (PEN) e o deputado federal e candidato à reeleição Lelo Coimbra (PMDB).

Um cortejo seguiu o ex-governador até o palco. Trajeto curto, porém demorado. Desde uma hora antes a área externa da sede social estava tomada de homens e mulheres sorridentes, mesas apinhadas de panfletos e adesivos (inclusive de Aécio Neves, candidato à presidência do PSDB), claques de candidatos e moças convidado a quem passasse a tirar fotos numa espécie de cabine estilizada; sem contar a bateria da Boa Vista e seu baticum ensurdecedor. 

 
Tudo isso recepcionou Hartung. O mestre de cerimônias já agradecia a presença de vereadores, prefeitos, vices, deputados e demais autoridades presentes. Quando Hartung assomou em um palco repleto de candidatos, a sede respondeu com aplausos e apitos. 
 
Com o protagonista no centro das atenções, finalmente pôde-se ver uma diferença entre a reunião da semana passada, que reuniu no mesmo local a militância de seu principal adversário, o governador Renato Casagrande (PSB), e a dessa quinta: se a de Casagrande marcou “o momento da virada”, com o governador elevando o tom das críticas à Hartung, este, por sua vez, não quis falar de “vitória”. 
 
“Não falamos em vitória”, proferiu, conclamando, a seguir, a militância a pedir votos. Lembrando as Jornadas de Junho, chamou também a juventude com um desajeitado “Vamos pra rua!” – na verdade, ele tentou reproduzir o “vem pra rua, vem pra rua”, um dos mais simbólicos gritos das manifestações. “Precisamos ir para as redes sociais fazer debates e não permitir que sejam espaço para a calúnia”, convocou.
 

O chamado foi reproduzido pelos oradores que o antecederam. Representando os prefeitos presentes, Geraldo Luzia (PPS), o Juninho, de Cariacica, incitou a militância a pedir voto até para os vizinhos. Antes, Juninho criticara Casagrande: “Se a gente não tem parceria com um governo coerente, experiente, a gente não avança”. Como se viu, como prefeito, Juninho é um belo orador. 

 
Logo a seguir, a deputada federal Rose de Freitas (PMDB) operou o mesmo chamado, dizendo que é também a militância que faz a eleição. A candidata ao Senado afagou Hartung: “Quando escolhi caminhar com você, não foi por conveniência de chapa. Sei que você é o melhor administrador desta Estado. Peço voto para você com orgulho”.
 
Quem abriu as falas foi o senador Ricardo Ferraço (PMDB). Ele ressuscitou o discurso do combate ao crime organizado que elegeu Hartung em 2002, ao falar que “lá atrás nós nos reunimos para botar o crime organizado para correr do Espírito Santo” e destacar palavras como princípios, ética, trabalho, etc.
 
Ante as críticas de Casagrande a Hartung, Ferraço apresentou o discurso, também reforçado por outros oradores, como seu pai, o deputado estadual e candidato à reeleição Thedorico Ferraço (DEM), da “campanha construída com ideias”. Mais tarde, Hartung falaria em um “debate propositivo”. “Só faz campanha de canelada quem não tem proposta”, disse. 
 
No entanto, seu discurso tropeçou em vaguezas: para atrair os jovens para a política, vociferou que “precisamos mudar as instituições políticas”; sublinhou mais uma vez que a educação será a prioridade de seu governo, no qual serão feitas “escolas vivas”, já que os jovens hoje “é presa fácil do tráfico, das drogas, da violência”; e, claro, disparou o indefectível “Vamos chacoalhar o Espírito Santo!”. 
 
Convidado de honra
 
Foi com visível satisfação que Paulo Hartung apresentou à militância a pessoa e o apoio do delegado Fabiano Contarato, que, na última semana, pediu exoneração do cargo de de delegado titular da Delegacia de Delitos de Trânsito. Logo após a saída, Contarato anunciou apoio à Hartung pelos jornais. No Álvares, o fez publicamente, em alto e bom som.
 
Contarato foi o segundo a discursar, sucedendo Ricardo Ferraço. Começou manifestado o prazer de estar ali e agradecendo a acolhida de PSDB e PMDB. A seguir fez uma autodefesa: “É preciso ter muita coragem e ser muito homem para renunciar a uma candidatura”, para a seguir dizer que sentiu sua ética ferida “Agora, sim, com Paulo Hartung, vamos diminuir no Espírito Santo o abismo entre os muito ricos e os muito pobres”. Passou o microfone e deu um abraço e um beijo em Hartung.
 
Contarato receberia ainda os afagos de Rose de Freitas, que pediu palmas para o delegado e fez uma confissão: enfrentar aquele adversário – quando Contarato ainda almejava o Senado pelo PR de Magno Malta – não seria fácil. Hartung também fez festas para o delegado: “Estamos recebendo a presença de um funcionário público exemplar, com todos os atributos para disputar e está do nosso lado. É o nosso xerife”, disse. Sorriso largo, Contarato estava muito à vontade naquele palco.

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