Fred, que estava preso, pediu desculpas à PM, mas confrontou colega em plenário

A sessão dessa segunda-feira (18) na Câmara da Serra marcou o retorno do vereador Fred (PDT), solto da prisão na semana passada – ele é acusado de tentar invadir a casa da companheira, em dezembro de 2025, e de agredir policiais que atenderam a ocorrência. Alguns parlamentares da base do prefeito saudaram a volta de Fred, mas houve também embates com adversários.
Fred foi um dos primeiros a discursar na sessão, no período do pequeno expediente, e aproveitou o momento para pedir desculpas à Polícia Militar como corporação – “menos para os quatro policiais” que atenderam a ocorrência de dezembro. Na sua perspectiva, na verdade, ele é quem foi agredido após defender a companheira dos “quatro brutamontes” que foram até a casa dela. O parlamentar mencionou “interesse político” na ação policial.
O vereador afirmou ainda que, apesar da “injustiça”, leva ensinamentos do período encarcerado – durante o qual, segundo ele, recebeu apoio do presidente interino da Câmara, Dr. William Miranda (União). Fred criticou, ainda, narrativas da “mídia” sobre a sua prisão, dizendo que não foi enquadrado na Lei Maria da Penha. Disse também que não gostaria de entrar em polêmicas com os demais parlamentares por falas contra ele, mas pediu apenas que Cabo Rodrigues (MDB) se retratasse por tê-lo chamado de “ficha suja”.
Rodrigues ainda não tinha chegado à Câmara durante o discurso de Fred, mas, assim que teve a oportunidade, não deixou passar. “Se eu tivesse sido preso… graças a Deus isso nunca aconteceu e nem vai acontecer; há 16 anos eu prendo bandido, nunca fui preso. Mas, se por uma eventualidade isso acontecesse, eu chegaria aqui na maior humildade. Humildade. Altivez de espírito precede a queda, assim como a soberba precede a ruína. Eu não ia chegar aqui como pavão dizendo que todo mundo errou. A guarnição errou, o delegado errou, o juiz errou e eu sou santo”, comentou.
Em réplica, Fred reiterou o pedido para que Cabo Rodrigues se retratasse sobre o uso da expressão ficha suja, dizendo que, se fosse assim, não conseguiria se eleger, e “com mais votos do que você”. Houve um princípio de discussão entre os dois fora dos microfones, mas que logo se resolveu.
Entre os que comemoraram o retorno estavam vereadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), o mesmo de Fred e do prefeito Weverson Meireles. Sérgio Peixoto felicitou o colega que já conhecia da legislatura anterior, ressaltando que falava não apenas em seu próprio nome, mas também como líder de governo na Câmara. Paulinho do Churrasquinho também disse que Fred tinha o seu “respeito e admiração”.
Jefinho do Balneário (Podemos) também deu os “parabéns” a Fred pelo retorno, dizendo que “não cabe à gente julgar”. Já Leandro Ferraço (PSDB) afirmou que “a gente sabe que existem questões políticas por trás de tudo isso que aconteceu. Muitas vezes, as pessoas querem transformar manchetes de jornais em condenação”.
De oposição, Agente Dias (Republicanos) reiterou críticas a Fred. “Fico feliz que vossa excelência veio aqui pedir desculpa para a Polícia Militar. Mas, sim, mantenho o meu discurso: vossa excelência errou no momento em que reagiu àquela abordagem”, comentou. Pastor Dinho Souza (PL) seguiu na mesma toada, e comentou: “não retiro uma palavra do que disse ao seu respeito”.
Já Dr. Thiago Peixoto (Psol) afirmou que os vereadores da Casa precisam dar “exemplo”, mencionando crimes graves contra as mulheres ocorridos na Serra, mas não mencionou Fred explicitamente. Ele aproveitou o episódio para “cutucar” Pastor Dinho, dizendo que “se o Fred fosse filho do Bolsonaro, você estaria lá em Brasília pedindo anistia para ele”.
Problemas na Justiça
O PDT do prefeito Weverson Meireles tem enfrentando problemas judiciais sérios na Serra. Além da questão envolvendo Fred, os vereadores Saulinho da Academia e Teilton Valim foram afastados de seus mandatos no ano passado devido a denúncias de corrupção. Os suplentes Sérgio Peixoto e William da Elétrica assumiram as cadeiras.
Existem processos disciplinares em tramitação na Corregedoria da Câmara contra os vereadores, mas com poucas chances de prosperar, devido ao corporativismo do Legislativo. No caso de Fred, já poderia ter perdido o mandato após as sequência de faltas durante o período preso. Entretanto, o presidente interino, William Miranda, optou por declarar a suspensão do mandato, o que, na prática, abriu espaço para que ele retornasse sem maiores problemas.
Fred tem outros problemas judiciais a enfrentar. Foi marcado para o próximo dia 12 de junho uma sessão do Tribunal do Júri que poderá condená-lo por homicídio. O processo, o qual Século Diário teve acesso, se refere a um crime ocorrido no dia 15 de junho de 2014, em Vila Nova de Colares, na Serra.
A vítima, Bruno Machado Morgado, teria sido chamada para fora da residência, durante a madrugada, por cinco pessoas, dentre elas Fred, dois adolescentes e um outro suspeito de ter atirado contra Bruno no momento em que ele cumprimentava o grupo. Fred chegou a ser preso em flagrante na época, acusado de tentar fugir do local. O assassinato teria como motivação o fato de a vítima ter repreendido um dos adolescentes, supostamente envolvido com o tráfico de drogas, por tentar ficar com sua filha durante um churrasco.

