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Policial que divulga abordagens a pessoas em situação de rua é transferido

Cabo Vidal anunciou que sua área de atuação mudou de Marataízes para Cachoeiro

Redes sociais

O policial militar Vinicius Vidal, mais conhecido como Cabo Vidal, anunciou nas redes sociais que sua área de atuação foi transferida: do 16º Batalhão da Polícia Militar, em Marataízes, para o 9º Batalhão, em Cachoeiro de Itapemirim – ambos os municípios ficam no sul do Estado. Século Diário expôs, em matéria publicada no último dia 24, que o agente de segurança, pré-candidato a deputado estadual pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), tem se notabilizado por fazer abordagens agressivas a pessoas em situação de rua.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesse sábado (16), Cabo Vidal afirmou que recebeu com “muita surpresa” a comunicação de sua transferência, publicada no Boletim Geral da PMES no dia anterior, e agradeceu às “mensagens e telefonemas de admiradores” que teria recebido após a notícia.

“Para onde me mandarem, eu vou dar o meu melhor, porque eu honro o juramento que eu fiz de servir e proteger a população capixaba em tempo integral. (…) ‘Tô’ indo lá trabalhar, mas o meu coração continua aqui em Marataízes, a minha família continua aqui, os meus amigos e a minha luta também”, destacou.

Entre os que comentaram na postagem está o delegado da Polícia Civil Leandro Sperandio, pré-candidato a deputado estadual, que chegou a ser cotado como candidato a prefeito de Aracruz (norte do Estado) pelo Republicanos em 2024, mas desistiu na última hora. “Sofri isso duas vezes. Poucos podemos falar e nem é hora de se vitimizar. Vai ‘pra’ cima, guerreiro, porque sempre há um propósito de Deus. Você terá oportunidade de conectar com outras pessoas, aumentando o seu tamanho e o seu propósito”, afirmou Sperandio.

Cabo Vidal já publicou diversos vídeos em que aparece abordando pessoas em situação de rua em Marataízes, desmontando barracas e retirando pertences das calçadas. Ele também passou a responder a uma sindicância por conta de uma suposta agressão praticada em 2024, mas afirmou que foi inocentado “por falta de provas”. O policial costuma fazer ainda vídeos sobre abordagens a suspeitos de crimes, quase sempre sem usar a farda.

“Certamente é uma pessoa sem respeito à vida dos outros e que não tem conhecimento nenhum de políticas públicas. A atitude dele é lamentável, agride as pessoas e retira seus pertences do local em que estão. Essas pessoas não estão na rua porque escolheram, cada uma delas tem uma história e carrega consigo muita coisa”, criticou Siqueli Pimentel da Silva, coordenadora da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Vitória. A Prefeitura de Marataízes também afirmou que reprovava a atuação do policial.

O Espírito Santo tem registrado diversos casos graves de agressão a pessoas em situação de rua. Um dos casos mais recentes foi um ataque a tiros em Vila Velha, no último dia 8, que resultou na morte do artista Emmanuel 7Linhas e da catadora Kézia Kelly Aristides Miranda.

A Polícia Civil também prendeu, no início deste mês, um homem que classificou como “exterminador de pessoas em situação de rua”, acusado do assassinato de um homem na Serra, Vanilson Ferreira. No final do mês passado, foram presos também funcionários de uma empresa particular de segurança pública acusados de sequestrar, torturar e matar uma pessoa em situação de rua que estava na Praia do Suá, em Vitória.

Além desses crimes, no último dia 22, a polícia prendeu em flagrante um indivíduo de 30 anos, suspeito de atear fogo no corpo de um homem em situação de rua, de 33 anos, em Nova Almeida, na Serra.

O Anuário Estadual da Segurança Pública de 2025 destacou o elevado número de pessoas em situação de rua vítimas de homicídio no Estado, com 21 casos registrados. Ainda não há dados atualizados a respeito dos crimes contra essa população vulnerabilizada.

A Polícia Militar do Estado alegou, em nota, que “a Corporação passou, recentemente, por uma reorganização de suas unidades, o que gerou a necessidade de transferências de militares, prática comum dentro da gestão organizacional. Sobre a sindicância aberta no ano de 2024, os fatos foram apurados e não houve apontamento de culpabilidade por parte do militar”.

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