Neste sábado (15), o PT capixaba faz uma reunião do diretório do partido, quando começará a ser desenhado o caminho que vai seguir a partir da eleição deste ano. Para os meios políticos, o encontro será marcado por um debate entre duas visões que hoje causam um racha no partido.
De um lado está o presidente do partido João Coser e alguns aliados, que segundo lideranças, estariam tentando uma aproximação com o governador eleito Paulo Hartung (PMDB). De outro, lideranças que entendem que a adesão ao projeto de unanimidade dos últimos 12 anos foi prejudicial ao PT. Apesar da ocupação de espaços no governo, não há uma participação do PT de forma decisória no jogo político do Estado.
Depois da eleição deste ano, da qual PT saiu derrotado na disputa majoritária em todos os níveis no Estado, o cenário deve ser analisado. Na semana passada, uma das correntes do partido, a Articulação de Esquerda, entregou uma carta à Executiva na qual apresentou uma análise da conjuntura, mostrando que o partido deve procurar outro caminho.
Também ficou claro que os problemas internos causados durante o processo eleitoral ainda estão ecoando no partido. Embora a maioria quisesse continuar no palanque de Renato Casagrande (PSB), Coser e seu grupo protelaram o acordo, acreditando em uma aliança com Paulo Hartung (PMDB). Diante da demora do PT, Casagrande fechou questão sobre a candidatura do PSB nacional, já Hartung fez aliança com o PSDB e o PT ficou isolado no processo. Essa movimentação não parece ter sido digerida pela corrente.
Se antes da eleição, Coser conseguiu bancar as movimentações na direção de Hartung, agora, derrotado na eleição, a tendência é de que o debate se dê em outro nível. Para algumas lideranças, a movimentação de Hartung fechou as portas para o partido e a partir daí é preciso construir um novo caminho.
Isso ficou claro na entrevista de Tarciso Vargas, que é membro do diretório do partido, em entrevista ao jornal Século Diário (09/11/2014). O petista aponta a necessidade de se aproximar do governo federal e construir um projeto voltado à esquerda, no sentido de defender as ações do PT no Espírito Santo e conseguir transformar essas ações em benefícios políticos para o partido, aumentando o capital de seus quadros.

