No anúncio das duas novas unidades do Escola Viva, nessa quarta-feira (13), chamou a atenção o fato de que agora o governo do Estado vai incluir também as chamadas séries finais do ensino fundamental no programa.
Isso causa preocupação porque o Escola Viva foi apresentado no Espírito Santo como uma proposta esoecífica para o ensino médio. E a dúvida é como foi feita a adequação do programa para o ensino fundamental da noite para o dia, já que a didática é totalmente diferente da do ensino médio.
Na lei aprovada pela Assembleia, o governo faz um contrato com o Instituto de Corresponsabilidade Educacional (ICE) para a aplicação do programa no ensino médio. Em relação ao programa que seria adotado no ensino fundamental, a dúvida é se não seria necessário uma avaliação para saber se a proposta é adequada ou se governo decidiu fazer a mudança apenas por causa do espaço físíco, já que não é qualquer estrutura que pode abrigar o modelo de escola integral.
A ‘adequação’ garante uma parceira com prefeituras, conseguindo assim escolas com estruturas que atendam ao interesse do governo em criar escolas que sejam modelos para uma vitrine política.
Uma das unidades apresentadas nessa quarta foi a de Cobilândia, em Vila Velha. A Unidade Municipal de Ensino Fundamental (Umef) Paulo Mares Guia vai oferecer 580 vagas para estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e 1ª a 3ª série do ensino médio. A outra unidade anunciada, no município de Cachoeiro de Itapemirim, será na escola Francisco Coelho Ávila Junior. Nesta unidade, serão abertas 640 vagas para estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e 1ª a 3ª série do ensino médio.
Em Cachoeiro, a comunidade escolar fez protestos pela cidade porque não aceitava a proposta do Escola Viva. O governo, porém, afirma que escola aderiu ao programa por meio do edital de credenciamento.
Para 2016, a Sedu ampliou o Programa Escola Viva. Além das duas unidades anunciadas, foram abertas mais 400 vagas Centro Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral São Pedro, localizado em Vitória, dobrando a capacidade da escola e atendendo ainda mais jovens. Além da implantação de outras três unidades, já anunciadas, nos municípios da Serra, com 720 vagas, Ecoporanga, com 640 vagas, e Muniz Freire, onde foram ofertadas 570 vagas, todas já preenchidas, totalizando aproximadamente 4 mil vagas.
Mas em Muniz Freire, a situação não é só alegria em relação à educação. A população não está satisfeita com o chamado outro lado da moeda. É que enquanto vem abrindo escolas-modelo para apresentar como carro-chefe da educação, o governo vem fechando turmas e escolas, sobretudo no ensino noturno, que atende também a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

