O ex-presidente do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guilherme Lacerda, é alvo de uma investigação da Polícia Federal por suposta cobrança de repasses para o PT. Segundo o jornal O Globo, foram encontradas mensagens no celular do ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, Otávio Azeredo, trocados com Lacerda.
Nas mensagens, Lacerda estaria reclamando que não teriam sido executados repasses ao ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. O jornal cita um trecho de uma mensagem que teria sido enviada pelo petista a Azeredo, no dia 22 de setembro de 2012.
“Otávio, o João Vac (Jõao Vaccari) me informa hoje que ainda não recebeu para encaminhar. Foi uma surpresa e já criei expectativas em vários lugares. PF (por favor) veja isso com urgência”, diz a mensagem interceptada pelos investigadores da Lava Jato.
O ex-executivo da empreiteira teria respondido no mesmo dia à mensagem de Lacerda. “Guilherme, estou saindo de Londres e chego amanhã. Fique tranquilo e mantenha suas promessas. Esta programação foi feita em conjunto com JVC (Vaccari). Será feito na próxima semana. Abs”.
O Globo relata outra mensagem em 10 de fevereiro de 2012, quadro dias após Lacerda assumir o cargo no BNDES, em que ex-diretor cobra uma conversa sobre pendências no estádio internacional e insiste na conversa quatro dias depois. “Preciso realmente falar com você!”.
As mensagens foram encontradas em um dos aparelhos telefônicos de Azevedo, apreendidos em junho do ano passado, quando o ex-executivo da Andrade Gutierrez foi preso na 14ª fase da operação Lava Jato. Em entrevista ao Jornal A Tribuna, Guilherme Lacerda afirma que teve contados com Azevedo em 2012, quando era diretor do BNDES, mas nega que tenha em algum momento pedido propina para o partido e que desconhece a investigação.

