A divulgação da pesquisa Futura, nesse domingo (4), em A Gazeta e da FlexConsult, no site Leia-se, nesta segunda-feira (5), revela incongruências nos resultados sobre a disputa eleitoral do Estado. Esses problemas, entre outros motivos, são causados pela escolha dos campos a serem analisados.
As duas empresas recorreram às fórmulas adotadas em 2010, mas com a exclusão de alguns municípios que poderiam alterar o cenário colocado nos levantamentos. O que chama a atenção do mercado político é que no levantamento de 2010, com o mesmo universo de eleitores e abrangência da pesquisa, o valor cobrado pela empresa foi de R$ 35 mil. Estranhamente, quatro anos depois, o valor foi de R$ 32 mil. Hoje no mercado uma pesquisa deste porte custa em média R$ 45 mil.
Além dos quatro maiores municípios da Grande Vitória (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), a pesquisa deve incluir ainda os chamados municípios-polo – Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Linhares e São Mateus –, os demais devem ser incluídos por sorteio aleatório. O problema é que esse sorteio não é fiscalizado, gerando a desconfiança no mercado político sobre a escolha dos campos, o que influencia na pesquisa.
Diferentemente do que foi feito em 2010, Viana ficou fora das duas pesquisas. No município, o governador Renato Casagrande tem uma boa imagem com o eleitorado. Foi o prefeito de Viana, Gilson Daniel (PV), quem convocou a reunião de prefeitos para pedir a manutenção da unidade em torno do socialista.
A Futura também excluiu a terra natal de Hartung, Guaçui, também no sul do Estado, mas o ex-governador não tem o município como reduto eleitoral há muito tempo. Por isso, a exclusão de Castelo é mais significativa para Casagrande do que a exclusão de Guaçui para Hartung.
A diferença entre Paulo Hartung e Renato Casagrande na pesquisa Flex Consult é ainda maior. Se na Futura Hartung aparece com quatro pontos percentuais à frente de Renato Casagrande, na pesquisa FlexConslult, o ex-governador tem 38% das intenções de votos, contra 30% de Renato Casagrande. Mesmo a empresa tendo incluído Castelo na amostragem, excluiu outros municípios importantes como Domingos Martins, na região serrana, por exemplo. A margem de erro de 3,1 também contribui para distorções do cenário eleitoral.
Na pesquisa divulgada no domingo, a Futura em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. Também foram ouvidos eleitores de Guarapari, Afonso Claudio, Santa Leopoldina e Domingos Martins. No sul do Estado, a pesquisa ouviu eleitores em Cachoeiro de Itapemirim, Alegre, Iuna e Muqui.
Na região noroeste foram entrevistados moradores de Colatina, Baixo Guandu, Barra de São Francisco e Boa Esperança. E no litoral norte, os municípios de Aracruz, Linhares, São Mateus e João Neiva foram ouvidos. Segundo informações do site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a empresa ouviu 1.400 pessoas entre os dias 22 e 28 de abril. O número do registro da pesquisa é 00005/2014.
Já a FlexConsult ouviu eleitores de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. No noroeste, de Colatina, Barra de São Francisco, Vila Pavão e Ecoporanga. No Litoral norte foram entrevistados moradores de Linhares, São Mateus, Aracruz, Conceição da Barra. Na região central, foram ouvidos eleitores de Afonso Cláudio, Alfredo Chaves e Santa Teresa.
No sul do Estado, os moradores de Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Mimoso do Sul e Iuna foram abordados pelos pesquisadores. A empresa ouviu mil pessoas entre os dias 23 e 29 de abril e o número do registro é 0006/2014.
Não é só no Espírito Santo que as pesquisas eleitorais causam polêmicas nos meios políticos. Nesse sábado (3), o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem mostrando que metodologia de pesquisa adotada pelo Instituto Sensus distorceu resultados, beneficiando o pré-candidato tucano ao Palácio do Planalto, Aécio Neves (PSDB).
Isso porque em vez de entregar aos entrevistados um disco com os nomes dos candidatos à Presidência, o instituto usou uma lista em ordem alfabética, com Aécio Neves na primeira posição.
No Estado, o fato de a Futura ter primeiro feito um levantamento isolado nos quatro maiores municípios da Grande Vitória sobre a corrida eleitoral ao governo do Estado também teria influenciado no resultado da pesquisa desse domingo.
Também chamou a atenção o fato de a deputada federal Rose de Freitas (PMDB) aparecer em primeiro lugar com uma diferença substancial sobre os adversários, o que passa uma ideia de que fora da disputa de senador, Paulo Hartung transferiria seus votos para a colega de partido. O problema é que há até pouco mais de um mês os dois eram adversário políticos. A deputada estava inclusive disposta a bater chapa como ex-governador em convenção do partido no próximo mês.
Outro fato que prejudica a melhor visualização dos dados é o fato de, na espontânea, 41% dos entrevistados se colocarem como indecisos. Um número alto para se determinar um levantamento de uma disputa que se coloca como polarizada.
A possível entrada do senador Magno Malta (PR) no páreo, que levaria a disputa para o segundo turno, também foi minimizado na publicação das pesquisas, o que influencia o comportamento do eleitorado. No caso de A Gazeta/Futura, o peso dos 15% do senador não foram destacados como ameaça de segundo turno. Em Leia-se/FlexConsult o senador aparece com apenas 7% das intenções de votos.

