As primeiras pesquisas sobre o processo eleitoral deste ano já causaram mal-estar na classe política. No ninho tucano o clima não ficou nada agradável com a exclusão dos nomes dos pré-candidatos do partido ao Senado. No levantamento realizado no município de Vila Velha, no final de março, não aparece nenhum candidato do partido na pesquisa ao Senado.
O partido tem dois nomes inscritos no livro de pré-candidaturas: o do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas e o do coronel Luiz Sérgio Aurich. A exclusão dos tucanos causou mal-estar interno no partido.
Nos bastidores, os tucanos criticam o posicionamento do deputado federal Cesar Colnago, isso porque antes de começar o levantamento, o partido é consultado pelo instituto sobre seus candidatos. A pressão sobre o deputado deve aumentar.
Isso porque embora tenha havido advertências internas, após o levantamento feito em Vila Velha, na nova pesquisa Futura, realizada na Serra e divulgada nesta terça-feira (15) em A Gazeta, os nomes tucanos ao Senado novamente não apareceram. Apenas o pré-candidato ao governo, Guerino Balestrassi, é registrado no levantamento.
Nos meios políticos, a exclusão dos nomes dos tucanos na pesquisa teria o objetivo de fortalecer o ex-governador Paulo Hartung. Nos dois levantamentos, o nome de Paulo Hartung ainda não havia sido consolidado para a disputa ao governo. Ele também era cotado para a disputa e aparecia em primeiro lugar na corrida ao Senado.
Como tem um capital eleitoral considerável, o ex-prefeito Luiz Paulo seria uma ameaça ao desempenho de Hartung, que já tem o delegado Fabiano Contarato (PR) como ameaça na eleição de senador.
O PSDB já tinha definido a estratégia para a disputa ao Senado, que colocaria um candidato em cada cenário. Com Paulo Hartung na disputa, o PSDB iria Aurich e com o ex-prefeito João Coser na disputa, o candidato seria Luiz Paulo. Mas os tucanos não aparecem em nenhum dos dois levantamentos.
Em novembro do ano passado, a senadora Ana Rita, que ainda brigava dentro do PT capixaba pela sua candidatura à reeleição para o Senado, questionou não só a Futura, mas também a Enquet Pesquisa, sobre a não inclusão de seu nome nas pesquisas sobre a o pleito deste ano. A Enquete respondeu que não foi requisitado pelo cliente a inclusão do nome da senadora e a Futura sequer respondeu.
Naquele momento, os nomes não precisavam ser todos cotados para a eleição, mas com a regra sobre pesquisas passando a valer desde o início de janeiro, as pré-candidaturas existentes devem constar das pesquisas, atendendo à legislação eleitoral.
Repercussão
Não foi só no ninho tucano que a pesquisa repercutiu mal. Na sessão desta terça-feira (15) na Assembleia Legislativa o assunto também foi abordado pelos parlamentares. O deputado Claudio Vereza (PT) chamou de perseguição política a abordagem da pesquisa ao Senado, em relação ao ex-prefeito de Vitória João Coser.
O deputado destacou um erro na publicação do gráfico que demonstra a intenção de votos estimulada da pesquisa. Embora Coser apareça em empate técnico com o delegado Fabiano Contarato (PR), o petista com 23,3% e o delegado com 25,5%, a ilustração gráfica induz o leitor a acreditar que o petista tem a metade dos votos do oponente do PR.
A impressão é de que os gráficos estão invertidos, estando a ilustração entre Coser e Contarato no cenário com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) na disputa. Mas para Vereza, que vem criticando o Instituto e o jornal há algum tempo, a troca pareceu perseguição política a Coser.
Já o deputado Freitas (PSB) foi ao microfone de aparte para concordar com Vereza e dizer que a forma como estão sendo feitas as pesquisas prejudica o processo eleitoral. O deputado destacou que esses levantamentos fragmentados (Vila Velha e Serra) já trouxeram resultados negativos em pleitos anteriores e que este ano “começou cedo”. O deputado socialista afirmou ainda que pesquisa é interessante, mas que o resultado deve ser o real para não confundir o eleitor.
Os problemas com pesquisas eleitorais no Estado já trouxeram muitos problemas para alguns candidatos em pleitos passados. Em 2012, uma pesquisa do Futura, publicada no sábado, véspera do segundo turno da eleição municipal em Vitória, apontou uma virada de jogo a favor do candidato tucano Luiz Paulo, resultado que nãos e confirmou nas urnas, com a vitória de Luciano Rezende (PPS).
O mesmo Luciano Rezende fora prejudicado em 2008, na disputa pela Prefeitura de Vitória, dessa vez contra João Coser. As pesquisas, na ocasião, mostravam Rezende com um desempenho eleitoral muito abaixo do verificado nas urnas. Uma situação que pode ter influenciado no chamado voto útil do eleitor da Capital.

