quinta-feira, abril 23, 2026
25.9 C
Vitória
quinta-feira, abril 23, 2026
quinta-feira, abril 23, 2026

Leia Também:

Racha barulhento

Bancada do PL “lava roupa suja” em Vila Velha: Devacir e Patrick versus Pastor Fabiano

Redes Sociais

O Partido Liberal (PL) elegeu à Câmara de Vila Velha, em 2024, três vereadores, marcando a segunda maior bancada junto com o PP. Na prática, porém, tem atuado na proporção 2×1, resultado de um racha interno que descambou para uma discussão prolongada na sessão dessa quarta-feira (22), quando o plenário virou palco de embate partidário. Os discursos colocaram Devacir Rabello e Patrick da Guarda de um lado, e Pastor Fabiano do outro, tendo, no meio, o posicionamento em relação à gestão de Arnaldinho Borgo (PSDB). O enredo começou com falas sobre a eleição da Mesa Diretora da Casa e o peso da interferência do prefeito. Pastor Fabiano avisou que não vai seguir Arnaldinho e não tem compromisso nenhum com ele, e sim com seu “líder”, o senador Magno Malta, destacando a independência e liberdade do legislativo no processo. Devacir defendeu uma decisão “em comum acordo com os vereadores”, também citou Magno, e ainda o presidente do diretório municipal do PL, pastor Carlos Salvador, a quem disse destinar o “máximo respeito”. Na sequência, sucederam-se críticas de Pastor Fabiano a Salvador, apontando “lobby” e que ele “deixa a desejar” na condução do partido, distribuídas também aos correligionários, por não atuarem como oposição, o que iria de encontro à orientação de Magno. “Agem como Centrão!”, disparou. O clima esquentou mais quando Devacir o acusou de “faltar com a verdade”, rebatendo que o PL é oposição ao governo federal e os vereadores têm “autonomia para tocar seus mandatos”. Patrick entrou no embate, também exaltou Salvador, destacou que o “voto da base está nas mãos do prefeito e vai seguir isso”, e se referiu a Pastor Fabiano como “esse cidadão” e “lobo travestido de ovelha”. Para embalar o “round” final, Fabiano voltou ao microfone, questionou se os vereadores do PL são mesmo patriotas, e acusou Devacir de ter colocado “laranja” em sua chapa de 2020, o que teria gerado a cassação do mandato. Desse ponto em diante, o bate-boca se intensificou, passou a ecoar para fora dos microfones, e os dois só pararam após intervenções. A contar os ânimos para lá de exaltados, a confusão não deve acabar por aí. Agora…com a cena eleitoral já pegando fogo, e o PL, seja qual decisão tomar – palanque próprio ou aliança com Lorenzo Pazolini (Republicanos) -, bem distante do projeto de Arnaldinho, que voltou para os braços de Renato Casagrande (PSB) e Ricardo Ferraço (MDB), é de fato curioso vereadores do partido não cravarem oposição na Câmara…

Reações

Quem entrou no circuito já fartos do embate foi o vereador Dr. Hércules (PP) e Patrícia Crizanto (PSB), cobrando respeito às mães de filhos com síndrome de down que aguardavam a Tribuna Livre e tiveram que assistir às cenas. Colegas de plenário também lembraram que ali não era o local adequado para o embate, inclusive o presidente, Osvaldo Maturano (PRB), e Patrícia chegou a sugerir uma “reunião partidária extraordinária”.

Chapa

Devacir e Pastor Fabiano, até que se prove o contrário, integram os planos do PL para a disputa à Assembleia Legislativa em outubro. Lideranças do partido têm divulgado a ousada meta de fazer seis deputados estaduais. Devacir alcançou 5,4 mil votos em 2024, assumindo a segunda posição entre os eleitos, enquanto Pastor Fabiano, 2,9 mil.

Dedo na ferida

Sobre a cassação de Devacir…foi efetiva após decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no início de 2024, que apontou fraude à cota de gênero. O vereador foi eleito para o primeiro mandato pelo Democracia Cristã (DC), condenado no caso, migrando posteriormente para o PL. Ele teve que deixar a cadeira, e concorreu novamente no mesmo ano.

Sem mudanças

O pleito interno da Câmara de Vila Velha está marcado para junho, de acordo com o Regimento Interno. Na esteira da recente decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em relação a Vitória, Rafael Primo (PT) defendeu que o mesmo entendimento fosse seguido, o que significa adiar para depois das eleições gerais. A questão, porém, não é consensual, e segue sem mudanças.

Adiada

Na Capital, foi o presidente, Anderson Goggi (Republicanos), que acionou o Supremo, obtendo decisão favorável aos interesses do ex-prefeito Pazolini e um grupo de cinco vereadores descolados do G16, que defendia a disputa em agosto, com Dalto Neves (SD) candidato à Presidência. A considerar os discursos após a decisão, o clima é de não apresentar recursos.

Bastidores

Nas articulações do legislativo canela-verde, os nomes que apareceram logo de início como candidatos foram do próprio Maturano, que tentaria a reeleição, e Joel Rangel, também aliado do prefeito. Mas, de lá para cá, muita água já rolou ao redor de Arnaldinho. Uma certeza, por ora, é que com a maioria da Casa sob sua influência, o prefeito vai, sim, ditar as regras e o resultado do jogo.

Outro lado

Com reduto em Cariacica, Tenente Assis declarou, nesta quinta-feira (23), filiação ao Republicanos, de Pazolini, para disputar a Câmara Federal. A decisão o coloca no lado oposto do grupo que escolheu em 2024, quando apoiou o prefeito Euclério Sampaio (MDB), um dos principais cabos eleitorais de Ricardo Ferraço e que têm, com ele, delimitado o campo no município desde o ano passado.

Reforços

Em 2022, Assis obteve votação expressiva para o mesmo cargo, batendo 58,8 mil, mas não entrou. A expectativa, portanto, é que represente um reforço na chapa do Republicanos, que perdeu os deputados federais Amaro Neto (PP) e Messias Donato (União). Na disputa ao governo, também se espera que ele some como cabo eleitoral de Pazolini, fazendo frente aos movimentos adversários. A conferir!

Nas redes

“A tentativa de reduzir o debate do futuro do Espírito Santo a uma escolha entre Ricardo Ferraço e Pazolini ignora que a esquerda não está órfã de alternativa, porque nós temos lado e temos projeto para o Espírito Santo e para o Brasil, e ele passa pela liderança de Helder Salomão e do presidente Lula (…) não se enganem: a escolha não é entre o mesmo e o igual. A escolha é pela mudança de verdade, com um projeto que representa o povo capixaba (…)”. Karla Coser, vereadora de Vitória pelo PT.

FALE COM A COLUNA: [email protected]

Mais Lidas