A declaração do presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), no jornal A Tribuna desta quinta-feira (18), de que estaria contando os dias para o fim de sua gestão, não convenceu o mercado político. Em vias de entrar na pauta de discussão da Casa o Projeto de Lei Complementar (PEC) que garante a reeleição para o cargo, Ferraço é apontado como franco favorito ao cargo.
Para justificar o aparente desdém pelo assunto, o deputado declarou que a função de presidente ocupa muito tempo e que há a frustração por não conseguir resolver os problemas que gostaria no Legislativo. Para os meios políticos, a justificativa é uma forma de diminuir a pressão sobre o tema.
Na Casa, o projeto apresentado pelo deputado José Carlos Elias (PTB) conta com 22 assinaturas para que possa tramitar. O ajuste para que a reeleição não seja eterna deve acalmar os ânimos dos deputados, os poucos que são contrários ao projeto. Além disso, a atenção dispensada pelo atual presidente em relação aos colegas criou um ambiente muito favorável à sua recondução ao cargo.
Outro fator que estaria contribuindo para facilitar o processo é que Ferraço saiu derrotado do processo eleitoral no sul do Estado, e hoje haveria um sentimento nos meios políticos de que o governador Renato Casagrande queira recompensar o presidente da Casa, até para manter a harmonia entre os poderes.
Antes do processo eleitoral, criou-se nos meios políticos uma movimentação que teria vindo do governo do Estado em favor do deputado Roberto Carlos (PT), que se afinaria mais com o perfil desejado pelo governador para a presidência da Assembleia.
Mesmo com os deputados não querendo ir de encontro ao Palácio Anchieta, sobretudo depois do processo eleitoral, na Casa hoje o clima é mais favorável à reeleição de Ferraço do que a construção de uma nova candidatura.

