O ex-governador Paulo Hartung deve entregar neste sábado (12) uma carta à direção do PMDB capixaba manifestando sua disposição de disputar o governo do Estado. A manobra foi vista nos meios políticos como um movimento para dentro do partido. A estratégia serviria para tentar forçar o grupo de peemedebistas aliados ao governador Renato Casagrande a desembarcar do palanque palaciano.
Hoje o partido está dividido. Com a formalização da sua vontade de concorrer ao governo, Hartung intensifica a pressão sobre o grupo que ainda não desembarcou do projeto de reeleição de Renato Casagrande. Mas não se deve esperar daqui para frente um ataque frontal do ex-governador a seu sucessor, já que isso implicaria uma imagem de movimentação eleitoreira.
A tensão sobre o Palácio Anchieta deve continuar e se intensificar, sim, mas por meio dos interlocutores de Hartung, como fez, por exemplo, Haroldo Correia Rocha e Ana Paula Vescovi com o estudo sobre o aumento de gastos do governo. O objetivo seria desidratar a imagem de Casagrande sem colocar Hartung na linha de frente. Tudo isso para evitar desgastes antecipados. A estratégia combina com o perfil de Hartung, que deve fazer de tudo para evitar o enfrentamento mais direto. Afinal, foi assim que ele agiu até agora e conseguiu criar as condições para se oferecer ao partido como alternativa.
Nessa estratégia, o cenário negativo para o governador já foi criado e Hartung aparece agora como alternativa de reconstrução, o “salvador da pátria”, após seus aliados fortalecerem o discurso de retrocesso econômico do atual governo. Como a convenção do PMDB acontecerá em 28 de junho, até lá o grupo de Hartung terá tempo para investir no discurso de desidratação de Casagrande, tentando atrair as forças políticas do PMDB e de fora do partido para a candidatura do peemedebista.
Embora um anúncio de candidatura com tanta antecipação não seja condizente com o perfil de Hartung, o momento foi escolhido porque aponta a fragilidade do governador, determinando o fim da unanimidade. A movimentação também coloca em xeque o discurso dos peemedebistas resistentes a seu palanque de que o apoio a Casagrande era o caminho porque não havia candidatura colocada no partido.
A partir dessa colocação do nome, os deputados estaduais e demais lideranças não terão mais como ignorar o fato de que Hartung é candidato e a questão da fidelidade partidária será colocada em debate. Neste sentido, a pressão deve aumentar sobre os chamados deputados vulneráveis dentro da bancada peemedebista na Assembleia. Se Hartung exercer toda essa pressão e ainda assim não conseguir cooptar os peemedebistas fiéis a Casagrande, a estratégia seguinte será recorrer à nacional do partido para impor o apoio de cima para baixo.
Já o governador Renato Casagrande deve acionar seu trunfo neste embate. O apoio do senador Ricardo Ferraço (PMDB) pode ser decisivo nesse jogo se o parlamentar levar a defesa da reeleição de Casagrande para dentro do partido.

