Nesta segunda-feira (15), o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) estará em Linhares, no norte do Estado, ao lado do candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB). O encontro, que poderia ser visto como uma forma de afastar a percepção do mercado político de que Hartung abandonou seu candidato, não dirime os comentários sobre a movimentação do candidato do PMDB que estaria articulando um palanque com Dilma, em caso de um eventual segundo.
Mas não tem sido tarefa simples aproximar Hartung do palanque de Dilma Rousseff . O interlocutor da movimentação com a Nacional do PT, seria o candidato ao Senado João Coser. Mas ele tem dificuldade em convencer a militância a caminhar com Hartung. A grande maioria da militância, após se consultada, já teria antecipado que apoiaria o candidato Renato Casagrande (PSB), caso ele dispute o segundo turno com Hartung.
Fora a militância, o grupo de Coser enfrenta dificuldade para convencer a cúpula petista de que Hartung, desta vez, vai mesmo adotar o palanque de Dilma no Espírito Santo. Sair da campanha tucana e embarcar no barco petista pode parecer estranho e atrapalhar mais do que ajudar no desempenho de Dilma no Estado, que nunca foi bom. Os comandantes do PT também admitem que Hartung, quando tinha certeza que Aécio seria o adversário de Dilma no segundo turno, passou a fazer ataques duros ao governo da presidente Dilma, o que os petistas capixabas julgaram um erro estratégico do peemedebista.
O ex-governador que sempre se manteve neutro na disputa presidencial para evitar desgastes, desta vez é quem precisa se colocar ao lado de um palanque que estará presente no segundo, o que não é o caso de Aécio Neves. Como Marina é a candidata de Renato Casagrande e tem uma grande aceitação no Estado, por isso, ele precisa de um nome que possa estar no jogo para o segundo turno.
Outro problema é local. Vai ser difícil para que Hartung consiga estabelecer um contato com a militância do PT. A base não está nada satisfeita com essa eleição. Se tiver de fazer campanha para Hartung no segundo turno, não será por livre e espontânea vontade.
Boa parte da militância quer caminhar com Casagrande desde o início do processo eleitoral e a tendência é de que no segundo turno, a base fique neutra na disputa presidencial e faça campanha para o socialista no Estado.
Apesar das dificuldades para fechar um palanque com o PMDB de Hartung, o presidente da legenda no Estado, João Coser, admite que está conversando, mas que o martelo só será batido no segundo turno. Em entrevista à TV Guarapari nessa quinta-feira (11), Coser afirmou que a decisão de fechar o palanque com Dilma e Hartung depende mais do candidato do PMDB do que da presidente Dilma.

