O ex-governador Paulo Hartung entregou nesse sábado (12) a carta ao PMDB capixaba, colocando seu nome para a disputa ao governo do Estado. O movimento do peemedebista polariza a eleição, já que o governador Renato Casagrande (PDB) não pretende recuar da candidatura à reeleição, o que estabelece um cenário de disputa acirrada no Espírito Santo que não se vê há muitos anos.
Na carta (imagem ao lado), o ex-governador critica o ritmo de realizações do Estado que, segundo ele, é lento. Em resumo, a mensagem do ex-governador é de que o atual mandatário tem feito pouco e que ele terá que retornar ao governo para pôr novamente o barco no rumo do desenvolvimento. Ele afirma que “as terras capixabas merecem mais”, um discurso afinado com o estudo divulgado recentemente por economistas ligados a ele (Ana Paula Vescovi e Haroldo Correa) de que o Estado está aumentando os gastos irresponsavelmente. Este deverá ser o discurso empregado na campanha de Hartung: atacar por todos os flancos o modelo socialista de gestão.
Em seus dois mandatos, o ex-governador praticamente não criou custos ao governo com concursos ou reajustes para as categorias do Estado. Apostou em uma política desenvolvimentista voltada para a internacionalização da economia capixaba. Já Casagrande aumentou o custeio, abrindo concursos e equipando aparelhos públicos, sobretudo o contingente da Polícia Militar, que ficou à míngua no governo Hartung. A briga deverá se dar na comparação entre os dois modelos de governo.
Mas antes desse embate programático, o ex-governador vai enfrentar a análise do PMDB de sua candidatura. Dentro do partido, hoje, o governador conta com um trunfo: o senador Ricardo Ferraço, o peemedebista com cargo eletivo mais importante em atividade, já declarou apoio à reeleição de Casagrande, o que pode equilibrar o jogo dentro do partido.
A expectativa pelo posicionamento do senador é grande nos meios políticos. Até a convenção de junho, a pressão sobre os peemedebistas será grande para aderirem à candidatura própria, caberá ao senador tentar demover os correligionários de embarcarem no palanque de Hartung.
A candidatura de Hartung, já conseguiu, porém, algumas definições importantes. A bancada, que em sua maioria se mostrava favorável a Casagrande, já começa a sentir a pressão. A deputada Luzia Toledo, um dos elos fragilizados dessa movimentação em favor do palanque palaciano, já defende a candidatura própria. Hércules Silveira, que teve um passado de abandono de Paulo Hartung na disputa a prefeito de Vila Velha em 2008, é mais comedido, mas tende a se unir ao grupo da candidatura própria. Marcelo Santos persiste no apoio incondicional ao socialista.
No Palácio Anchieta, porém, a candidatura de Hartung está sendo vista com uma tática, que para o mercado político é equivocada. O governo ainda fala em unidade, sendo que a disputa já está colocada. Para os observadores do processo, o governador não teria outro caminho senão aceitar o embate e contra-atacar, mostrando a dívida recebida do antecessor e fazendo o comparativo entre os governos.
O posicionamento mais forte de Renato Casagrande pode aumentar suas chances de evitar um desembarque de seu palanque não só do PMDB, mas das outras siglas que hoje apoiam sua reeleição.

