A aproximação entre o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e o presidenciável Aécio Neves (PSDB) foi vista nos meios políticos como mais um episódio da novela que se tornou a construção do cenário eleitoral capixaba, que tenta adequar a polarização nacional dentro da divisão de poder da unanimidade, sem que os aliados de Hartung deixem de orbitar seu palanque.
Depois de definido o palanque alternativo do PT, mantendo o projeto do ex-prefeito João Coser ao Senado, com uma candidatura da deputada federal Iriny Lopes ou do deputado estadual Roberto Carlos, o ex-governador, agora, está em fase de definição de sua aliança com o PSDB.
O encontro no Rio de Janeiro entre Hartung e Aécio, coloca nas mãos do ex-governador e do presidente do PSDB capixaba, o deputado federal Cesar Colnago, o papel de definir os caminhos tucanos na eleição do Espírito Santo, o que tira o partido do palanque de Renato Casagrande e o leva para o grupo de Hartung.
O objetivo, para alguns observadores seria o de garantir a acomodação dos aliados – Coser na disputa ao Senado em um palanque separado, mas com apoio indireto de Hartung e Colnago, cotado para a vice do ex-governador. Além de garantir uma alternativa para o deputado federal que estaria em dificuldade de assegurar sua reeleição para a Câmara dos Deputados, Hartung tira mais uma peça importante do palanque de Casagrande, já que o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas estaria cotado para ser o candidato ao Senado na chapa do socialista.
A dúvida seria na acomodação da vaga ao Senado, já que a deputada federal Rose de Freitas coloca sua candidatura ao Senado pelo PMDB e teria maioria dos convencionais do partido, logo, acomodar Luiz Paulo, que deseja rivalizar com o PT no Estado no mesmo nível de disputa, seria complicado. Também não há garantias de que Hartung fará no Estado a defesa da candidatura tucana à presidência, a acomodação das lideranças do partido em seu palanque não significa a entrada de Hartung na disputa nacional.
Neste sentido, o oportunismo das lideranças políticas ganha importância nessa articulação dos palanques. Com a possibilidade de diminuição de uma vaga na Câmara dos Deputados, muitos nomes cotados para a disputa proporcional começam a buscar alternativas de acomodação e a vaga de vice é um dos caminhos preferidos dos candidatos.
Colnago estaria pressionado pela conjuntura de Vila Velha, em que o desgaste do prefeito Rodney Miranda (DEM) favorece o ex-prefeito e também tucano Max Filho, na corrida por uma vaga na Câmara. Neste sentido, Max Filho, que em 2010 ficou fora da Câmara por uma diferença de cerca de 1,2 mil votos, servindo de “escada” oara Colnago, pode terminar a eleição na frente do colega de partido, invertendo o resultado do pleito de 2010.
Hartung continua mantendo segredo sobre suas movimentações rumo às eleições e tem dito a interlocutores que só falará sobre eleição na convenção do partido, no dia 29 de junho, o que tem lançado sobre a classe política uma série de dúvidas sobre sua participação no pleito.
Com as movimentações com o PSDB e o PT, porém, a estratégia do ex-governador de desidratar o palanque de Renato Casagrande parece se confirmar. Hartung teria hoje o apoio do PSDB e do DEM para a campanha, além da candidatura por fora do PT, que fortalece sua candidatura, embora possa levar a eleição para o segundo turno.
Esse oportunismo não se restringe ao grupo de Hartung. No palanque de Casagrande, a acomodação do PPS também caminha neste sentido, o presidente da Câmara de Vereadores da Capital, Fabrício Gandini, também estaria pressionando o palanque socialista em busca da vaga de vice na chapa de Renato Casagrande.
Já o socialista tem o apoio de dois blocos partidários, o “Renova Espírito Santo” e outro grupo que agrega Solidariedade, PPS, PTB, PSD e outros. As movimentações de Hartung podem favorecer o fechamento do acordo com o PR, garantindo a vaga ao Senado para o delegado de Delitos no Transito Fabiano Contarato.

